Explicador com dados · situação em 21/10/2026

VAR da Dívida Pública

Quanto o Brasil deve, a quem, em que moeda e por que os juros pesam tanto. A dívida aparece em toda discussão sobre corte de gastos, juros e Selic; esta página mostra os números oficiais, do governo JK a 2026, e compara o Brasil com outros países.

1 · O PIB

Tudo o que o país produz em 12 meses

O PIB é a régua de todo este artigo: dívida, juros e impostos são medidos em % dele. Nos 12 meses até ago/2026 ele somou R$ 13,34 tri.

Compras das famílias8,42Serviços dos governos2,61Investimentos2,22

O PIB soma bens, como comida e roupas, e serviços, como aluguel, transporte e saúde. Tudo o que se produz no ano termina nas mãos de alguém; por isso somar as compras mede a produção:

  • comprado pelas famíliasR$ 63 de cada R$ 100
  • comprado pelos governosR$ 20
  • virou máquina, obra, moradiaR$ 17
  • vendido ao exterior, menos o que veio de fora≈ R$ 0
R$ 63
Compras das famílias: comida, aluguel, roupas, transporte, saúde particular, lazer, via salários, aposentadorias, benefícios e outras rendas.
R$ 20
Serviços dos governos: saúde, educação, segurança, salários de servidores.
R$ 17
Investimentos: máquinas, obras e moradias.
≈ R$ 0
Saldo com o exterior: exportações menos importações de bens e serviços. O superávit em bens é quase todo consumido pelo déficit em serviços, como viagens, fretes e royalties.

Fontes: Banco Central (PIB de 12 meses); IBGE, Contas Nacionais (divisão do PIB pelos 4 trimestres até jun/2026, aplicada ao PIB do Banco Central).

2 · As contas

Como as contas do governo funcionam

O Estado vive de impostos. Com eles paga:

Para onde foi cada R$ 100 gasto em 2025

ServiçosR$ 45PrevidênciaR$ 34SocialR$ 8OutrosR$ 7InfraR$ 5
Subsídio R$ 1 ↑

Fonte: Tesouro Nacional, Boletim de Estatísticas Fiscais do Governo Geral 2025, tabela 7 (serviços = remuneração de empregados + uso de bens e serviços; investimentos = aquisição menos venda de ativos não financeiros); Resultado do Tesouro Nacional de dez/2025 (Bolsa Família R$ 158,1 bi, BPC R$ 127,2 bi e abono e seguro-desemprego R$ 87,8 bi, separados do total de benefícios).

As contas de 2025: União, estados e municípios

1 · Arrecada
R$ 4,70 tri
36,9% do PIB:
  • Tributos, 32,4%: impostos sobre renda, consumo, folha de salários e propriedade.
  • Outras receitas, 4,5%: dividendos de estatais, royalties do petróleo, concessões e taxas.
→
2 · Gasta
R$ 4,72 tri
37,0% do PIB:
  • Serviços: R$ 2,13 tri
  • Previdência e programas sociais: R$ 2,01 tri
  • Investimentos: R$ 0,22 tri
  • Subsídios e outros gastos: R$ 0,36 tri
→
3 · O resultado primário
− R$ 0,02 tri
0,1% do PIB. É o nome que se dá para o saldo entre a arrecadação e os gastos, que ficaram praticamente empatados.

Fontes: Tesouro Nacional, Boletim de Estatísticas Fiscais do Governo Geral 2025 (tabelas 1, 3 e 7); Estimativa da Carga Tributária Bruta 2025.

3 · A dívida

Assim nasce a dívida

Quando o dinheiro não basta, o governo vende títulos e pega emprestado. Antes de ver o tamanho da dívida, veja como esse empréstimo funciona.

1 · Quando falta dinheiro
Quando o dinheiro não basta, o governo vende títulos e pega emprestado: assim nasce a dívida.
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2 · Quanto faltou em 2025
R$ 17 bi
0,1% do PIB. O governo arrecadou R$ 4,70 tri e gastou R$ 4,72 tri (seção 2). Para cobrir esses R$ 17 bi, emitiu títulos e paga juros sobre eles.
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3 · Como pega emprestado
Emitindo títulos da dívida pública: papéis que investidores compram. Quem compra empresta ao governo e recebe de volta o valor com juros, na data marcada.

Como funciona um título

1 · Venda
O Tesouro vende títulos em leilões semanais a bancos, fundos e investidores. Pessoas compram pelo Tesouro Direto.
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2 · Taxa de juros
O leilão define a taxa: quanto mais risco os investidores enxergam, mais juros pedem para emprestar.
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3 · Prazo
Cada título tem data de vencimento, de meses a décadas. Hoje os títulos vencem, em média, em 4,1 anos.
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4 · Vencimento
Na data marcada, o Tesouro devolve ao investidor o valor emprestado com os juros.
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5 · Rolagem
Sem caixa para pagar, o Tesouro vende títulos novos para pagar os que vencem. É a rolagem.

Quem empresta ao governo: os donos dos títulos

Bancos31,2%Previdência22,6%Fundos22,5%Estrangeiros9,9%4,8%

Títulos federais, ago/2026. Fonte: Tesouro Nacional, Relatório Mensal da Dívida de ago/2026, tabela 2.4.

4 · O tamanho

Quanto o governo deve

Três números contam a história da dívida, e cada um sai do anterior. As barras usam a mesma régua da seção 1: o PIB. Valores em reais, ago/2026.

Como os juros viram dívida

Além das contas da seção 2, o governo paga juros sobre o que já deve. Em 2025 pagou R$ 1,26 tri e recebeu R$ 0,33 tri de juros sobre o que tem aplicado. Somados ao saldo primário, faltaram R$ 0,95 tri, 7,4% do PIB, cobertos com títulos novos.

O que faltou em 2025: R$ 0,95 tri

Juros da dívida, descontados os juros recebidosR$ 0,93 tri

Por que a dívida cresce

Quase todo o buraco são juros. Sem contar os juros, receitas e gastos ficaram praticamente empatados em 2025. Os juros sobre R$ 11 tri de dívida, com a Selic alta, viram dívida nova todo ano.

De cada R$ 100 que faltaram, R$ 98 foram juros.

Como ela pararia de crescer

Com superávit primário, arrecadação acima dos gastos sem juros, para pagar parte dos juros, e com juros menores. As seções 8 e 9 explicam por que os juros são altos e o que se pode fazer.

Meta do governo central para 2026: superávit primário de 0,25% do PIB.

Dado mais recente, pelo Banco Central (setor público consolidado, 12 meses até ago/2026): faltaram R$ 1,26 tri, 9,5% do PIB, sendo R$ 1,18 tri de juros e R$ 0,08 tri de déficit primário.

1. A dívida bruta: tudo o que os governos devem: R$ 11,05 tri (82,9% do PIB)

Títulos do Tesouro9,29Compromissadas do Banco Central1,37
R$ 9,29 tri
Títulos do Tesouro: a maior parte. Papéis que o Tesouro vendeu a bancos, fundos, previdência, estrangeiros e pessoas, com data para devolver o dinheiro e juros.
R$ 1,37 tri
Compromissadas: títulos do Tesouro que o Banco Central vende aos bancos, com compromisso de recomprar, para tirar dinheiro de circulação.
R$ 0,39 tri
Outras dívidas: empréstimos de estados e municípios com bancos e ajustes entre os métodos do Banco Central e do Tesouro.

O que é "dever" aqui

É dívida de verdade: dinheiro que União, estados e municípios tomaram emprestado e precisam devolver aos credores, com juros. É um estoque, acumulado em décadas, como o saldo devedor de um financiamento de casa.

R$ 11,05 tri devidos hoje a quem comprou os títulos.

O que é orçamento

É o fluxo de um ano: o que o governo arrecada e gasta em 12 meses, como as contas do mês de uma família. Quando o ano fecha no vermelho, ou quando os juros são pagos com títulos novos, a diferença entra no estoque da dívida.

"83% do PIB" é uma régua de tamanho. A dívida vence aos poucos, em prazo médio de 4,1 anos, e é rolada.

2. A dívida líquida: a bruta menos o que se tem a receber: R$ 9,24 tri (69,3% do PIB)

Dívida líquida9,24Descontado1,81

Do mesmo total de R$ 11,05 tri saem R$ 1,81 tri que o setor público tem a receber: sobretudo as reservas em dólar (US$ 372,6 bi), o caixa do Tesouro e os créditos ao BNDES, descontado o que o Banco Central deve. Sobram R$ 9,24 tri.

3. Os títulos do Tesouro e a rolagem: R$ 9,29 tri

12 meses1,52Vence depois7,77

Os títulos do passo 1, administrados pelo Tesouro. Uma parte vence a cada ano e é paga com títulos novos: a rolagem. Nos próximos 12 meses vencem R$ 1,52 tri.

R$ 9,29 tri
títulos do Tesouro (Dívida Pública Federal)
4,1 anos
prazo médio para vencer
16,4%
vence em até 12 meses
R$ 1,52 tri
a rolar nos próximos 12 meses

Fontes: Banco Central (dívida bruta e líquida, PIB de 12 meses); Tesouro, Relatório Mensal da Dívida de ago/2026. A dívida líquida inclui Banco Central e estatais federais, estaduais e municipais. No orçamento de 2026 o Congresso autorizou até R$ 1,82 tri para rolar a dívida: é um teto orçamentário que inclui margem, por isso é maior que o vencimento.

Conceitos desta seção

% do PIB

Forma de comparar gastos de anos diferentes: mostra o tamanho do gasto em relação a tudo o que o país produz no ano. Desconta o efeito da inflação e do crescimento da economia.

Exemplo: 19% do PIB é quase um quinto da economia.

Dívida bruta

Tudo o que o governo deve, somando União, estados e municípios. É a medida usada para comparar países.

Ago/2026: R$ 11,05 tri, 82,9% do PIB.

Dívida líquida

A dívida bruta menos o que o governo tem a receber: reservas internacionais em dólar, dinheiro em caixa e créditos com bancos públicos.

Ago/2026: R$ 9,24 tri, 69,3% do PIB.

Dívida Pública Federal

Os títulos que o Tesouro vende para financiar a União, no Brasil e no exterior. É a parte da dívida bruta que o Tesouro administra e rola.

Ago/2026: R$ 9,29 tri.

5 · Interna e externa

A dívida mudou de dono e de moeda

Dívida interna

Dívida em reais, em títulos do Tesouro comprados por bancos, fundos, previdência privada e pessoas pelo Tesouro Direto. Estrangeiros também compram esses títulos e detêm 10% deles.

Ago/2026: R$ 8,94 tri, 96% da dívida federal.

Dívida externa

Dívida em moeda estrangeira, quase toda em dólar. Pesa mais quando o real se desvaloriza, ou seja, quando o dólar sobe: a mesma dívida em dólar passa a custar mais reais. Como as reservas do país (US$ 372,6 bi) superam a dívida externa do setor público, o governo é credor externo líquido desde 2006.

Ago/2026: R$ 348 bi (US$ 67 bi), 3,75% da dívida federal.

Quem faz cada dívida e por que ela existe

Dívida interna

Quem faz: a União, pelo Tesouro Nacional. O Tesouro vende títulos em leilões e pelo Tesouro Direto, com autorização do Congresso no orçamento.

Por que existe:

  • Juros pagos com dívida nova. Quando o governo não tem caixa para pagar os juros, vende títulos novos. Os juros viram dívida. Hoje é o principal motivo de a dívida crescer.
  • Déficits. Quando gasta mais do que arrecada, o governo cobre a diferença com títulos.
  • Rolagem. Títulos que vencem são pagos com o dinheiro de títulos novos.
  • Dívidas assumidas de outros. Entre 1997 e 2001 a União assumiu dívidas de estados e municípios e o custo de sanear bancos estaduais, e passou a cobrar deles em parcelas.
  • Empréstimos a bancos públicos, como o BNDES de 2008 a 2014; a maior parte já foi devolvida.
  • Reservas em dólar. Para comprar dólares, o Banco Central tira reais de circulação com títulos do Tesouro. A dívida bruta sobe, mas o governo ganha um ativo do mesmo tamanho.

Do outro lado está a poupança do país: bancos, fundos e previdência aplicam ali o dinheiro de seus clientes.

Dívida externa

Quem faz: a União, pelo Tesouro, de duas formas: títulos vendidos no exterior, em dólar ou euro, e empréstimos de organismos como BID e Banco Mundial. Estados e estatais também tomam empréstimos lá fora, muitas vezes com garantia da União.

Por que existe hoje:

  • Referência para empresas. A taxa dos títulos do governo em dólar serve de base para empresas brasileiras captarem no exterior.
  • Mais gente emprestando. Alcança investidores que não compram títulos em reais.
  • Projetos com crédito barato. BID e Banco Mundial emprestam com prazos longos e juros menores.
  • Títulos com destino definido, como o primeiro título sustentável, de nov/2023, para projetos ambientais e sociais.

Por que encolheu: nos anos 1970 e 1980 ela era o centro das crises, porque cada alta do dólar aumentava a dívida. Desde os anos 2000 o governo a trocou por dívida em reais, pagou o FMI (2005) e recomprou os títulos do Plano Brady (2006).

Hoje é uma escolha estratégica, pequena; no passado foi uma necessidade.

Dívida líquida do setor público, interna e externa, em % do PIB

Dívida interna líquidaDívida externa líquidaTotal (dívida líquida)
-20%0%20%40%60%80%1991 a 2000: estimativa1991: interna 14,4%, externa 23,8%, total 38,1% do PIB1992: interna 19,0%, externa 18,1%, total 37,1% do PIB1993: interna 18,9%, externa 13,7%, total 32,6% do PIB1994: interna 21,6%, externa 8,4%, total 30,0% do PIB1995: interna 23,1%, externa 4,9%, total 28,0% do PIB1996: interna 27,4%, externa 3,3%, total 30,7% do PIB1997: interna 28,2%, externa 3,6%, total 31,8% do PIB1998: interna 33,7%, externa 5,2%, total 38,9% do PIB1999: interna 35,8%, externa 8,7%, total 44,5% do PIB2000: interna 37,3%, externa 8,3%, total 45,5% do PIB2001: interna 42,0%, externa 9,5%, total 51,5% do PIB2002: interna 44,4%, externa 15,6%, total 59,9% do PIB2003: interna 43,2%, externa 11,0%, total 54,3% do PIB2004: interna 42,4%, externa 7,8%, total 50,2% do PIB2005: interna 44,8%, externa 3,1%, total 47,9% do PIB2006: interna 47,6%, externa -1,1%, total 46,5% do PIB2007: interna 50,5%, externa -5,9%, total 44,5% do PIB2008: interna 46,3%, externa -8,7%, total 37,6% do PIB2009: interna 46,7%, externa -5,9%, total 40,9% do PIB2010: interna 42,9%, externa -5,0%, total 38,0% do PIB2011: interna 42,5%, externa -8,1%, total 34,5% do PIB2012: interna 40,3%, externa -8,1%, total 32,2% do PIB2013: interna 38,1%, externa -7,6%, total 30,5% do PIB2014: interna 39,4%, externa -6,8%, total 32,6% do PIB2015: interna 47,0%, externa -11,4%, total 35,6% do PIB2016: interna 55,1%, externa -8,9%, total 46,1% do PIB2017: interna 60,8%, externa -9,4%, total 51,4% do PIB2018: interna 63,5%, externa -10,7%, total 52,8% do PIB2019: interna 64,3%, externa -9,6%, total 54,7% do PIB2020: interna 74,3%, externa -12,9%, total 61,4% do PIB2021: interna 65,5%, externa -10,3%, total 55,1% do PIB2022: interna 62,9%, externa -6,8%, total 56,1% do PIB2023: interna 66,5%, externa -6,0%, total 60,4% do PIB2024: interna 67,4%, externa -6,1%, total 61,3% do PIB2025: interna 69,6%, externa -4,4%, total 65,2% do PIB2026-08: interna 72,9%, externa -3,6%, total 69,3% do PIB38,1%199159,9%200230,5%201369,3%ago/20261995200020052010201520202025Fernando CollorCollorItamar FrancoItamarFernando Henrique CardosoFHCLula 1 e 2Lula 1 e 2Dilma RousseffDilmaMichel TemerTemerJair BolsonaroBolsonaroLula 3Lula 3abaixo de zero:o governo temmais a receberdo exterior

Em 1991, a dívida externa líquida do setor público (23,8% do PIB) era maior que a interna (14,4%). Depois do Plano Real a dívida interna cresceu: 23% do PIB em 1995 e 44% em 2002. Recuou para 38% em 2013 e voltou a subir: 64% em 2019 e 73% em ago/2026. A externa encolheu e, desde 2006, fica abaixo de zero: as reservas internacionais superam o que o setor público deve lá fora. O peso da dívida está hoje dentro do país, em reais, e é por isso que os juros da Selic definem o seu custo.

2002 e hoje, na dívida federal

Dez/2002 · R$ 893 bi
InternaR$ 623,2 biExternaR$ 270,1 bi
Ago/2026 · R$ 9,29 tri
InternaR$ 8,94 tri

Em 2002, 30% da dívida federal era externa. Somando os títulos internos corrigidos pelo dólar, cerca de 46% da dívida federal acompanhava o dólar (cálculo com dados do Tesouro), e cada alta do dólar aumentava a dívida. Hoje a parte externa é 3,75%, e a ligada ao dólar, 3,74%. Em 2002 o setor público devia ao exterior o equivalente a 15,6% do PIB, descontadas as reservas; hoje tem a receber 3,6% do PIB. As reservas cobriam 18% da dívida externa do país em 2002 e cobrem cerca de 92% hoje.

6 · A dívida externa nas décadas

De JK à crise dos anos 1980

A dívida externa do país (governo e empresas), em % do PIB

0%10%20%30%40%50%60%195019601970198019902000201020201956: 18,7% do PIB, US$ 2,7 bi1957: 11,8% do PIB, US$ 2,5 bi1958: 23,5% do PIB, US$ 2,9 bi1959: 20,6% do PIB, US$ 3,2 bi1960: 21,9% do PIB, US$ 3,7 bi1961: 19,1% do PIB, US$ 3,3 bi1962: 17,7% do PIB, US$ 3,5 bi1963: 15,0% do PIB, US$ 3,6 bi1964: 15,2% do PIB, US$ 3,3 bi1965: 16,8% do PIB, US$ 3,8 bi1966: 13,2% do PIB, US$ 3,8 bi1967: 11,0% do PIB, US$ 3,4 bi1968: 12,0% do PIB, US$ 4,1 bi1969: 12,4% do PIB, US$ 4,6 bi1970: 14,7% do PIB, US$ 6,2 bi1971: 16,9% do PIB, US$ 8,3 bi1972: 19,5% do PIB, US$ 11,5 bi1973: 17,7% do PIB, US$ 14,9 bi1974: 18,1% do PIB, US$ 20,0 bi1975: 19,3% do PIB, US$ 25,1 bi1976: 20,9% do PIB, US$ 32,1 bi1977: 21,4% do PIB, US$ 38,0 bi1978: 25,9% do PIB, US$ 52,2 bi1979: 25,0% do PIB, US$ 55,8 bi1980: 27,0% do PIB, US$ 64,3 bi1981: 28,6% do PIB, US$ 74,0 bi1982: 31,5% do PIB, US$ 85,5 bi1983: 49,5% do PIB, US$ 93,8 bi1984: 53,8% do PIB, US$ 102,1 bi1985: 49,8% do PIB, US$ 105,2 bi1986: 43,1% do PIB, US$ 111,2 bi1987: 42,9% do PIB, US$ 121,2 bi1988: 37,1% do PIB, US$ 113,5 bi1989: 27,8% do PIB, US$ 115,5 bi1990: 26,3% do PIB, US$ 123,4 bi1991: 30,5% do PIB, US$ 123,9 bi1992: 35,1% do PIB, US$ 135,9 bi1993: 33,9% do PIB, US$ 145,7 bi1994: 27,3% do PIB, US$ 148,3 bi1995: 20,7% do PIB, US$ 159,3 bi1996: 21,1% do PIB, US$ 179,9 bi1997: 22,6% do PIB, US$ 200,0 bi1998: 28,0% do PIB, US$ 241,6 bi1999: 40,3% do PIB, US$ 241,5 bi2000: 36,0% do PIB, US$ 236,2 bi2001: 40,4% do PIB, US$ 226,1 bi2002: 44,8% do PIB, US$ 227,7 bi2003: 42,1% do PIB, US$ 235,4 bi2004: 32,9% do PIB, US$ 220,2 bi2005: 21,1% do PIB, US$ 188,0 bi2006: 18,0% do PIB, US$ 199,4 bi2007: 17,2% do PIB, US$ 240,5 bi2008: 15,5% do PIB, US$ 262,9 bi2009: 16,6% do PIB, US$ 277,6 bi2010: 15,9% do PIB, US$ 351,9 bi2011: 15,5% do PIB, US$ 404,1 bi2012: 17,9% do PIB, US$ 440,6 bi2013: 19,6% do PIB, US$ 482,8 bi2014: 22,8% do PIB, US$ 560,4 bi2015: 30,1% do PIB, US$ 540,4 bi2016: 30,5% do PIB, US$ 548,6 bi2017: 26,3% do PIB, US$ 542,6 bi2018: 29,2% do PIB, US$ 559,2 bi2019: 30,6% do PIB, US$ 573,6 bi2020: 37,6% do PIB, US$ 554,9 bi2021: 34,0% do PIB, US$ 567,5 bi2022: 29,5% do PIB, US$ 576,4 bi2023: 27,9% do PIB, US$ 607,2 bi1964: US$ 3,3 bi1984: US$ 102 bi2002: US$ 228 bi2008: US$ 263 bi123456789101112131415DutraVargasVargasCafé Filho, Carlos Luz e Nereu RamosJuscelino KubitschekJKJânio Quadros e João GoulartJangoDitadura militar, 1964 a 1985Ditadura militarSarneySarneyFernando CollorCollorItamar FrancoItamarFernando Henrique CardosoFHCLula 1 e 2Lula 1 e 2Dilma RousseffDilmaMichel TemerTemerJair BolsonaroBolsonaroLula 3Lula 3
  1. 11956 · Plano de Metas de JK
  2. 21964 · Golpe militar
  3. 31968 · Início do "milagre econômico" (1968 a 1973)
  4. 41973 · 1º choque do petróleo
  5. 51974 · II Plano Nacional de Desenvolvimento (Geisel)
  6. 61979 · 2º choque do petróleo e alta dos juros nos EUA
  7. 71982 · Moratória do México e crise da dívida
  8. 81983 · Maxidesvalorização do cruzeiro
  9. 91987 · Moratória da dívida externa
  10. 101994 · Plano Real e renegociação da dívida externa (Plano Brady)
  11. 111999 · Desvalorização do real
  12. 122002 · Crise na eleição e novo acordo com o FMI
  13. 132005 · Brasil quita a dívida com o FMI
  14. 142008 · Crise financeira global
  15. 152020 · Pandemia

Nos governos JK e da ditadura militar, o país financiou obras, estatais e a conta do petróleo com empréstimos em dólar. A dívida externa do país (governo e empresas) passou de US$ 2,7 bi em 1956 para US$ 3,3 bi em 1964 e US$ 105 bi em 1985, 32 vezes mais em dólares da época. Em % do PIB, subiu de 15% em 1964 para 27% em 1980 e 54% em 1984, quando a crise da dívida e a desvalorização do cruzeiro em 1983 encolheram o PIB medido em dólar. Desde 2005 a dívida externa do país pesa entre 15% e 38% do PIB, e hoje as reservas internacionais cobrem cerca de 92% dela. Fonte: Banco Central via Ipeadata (dívida externa bruta total, que inclui empréstimos entre empresas do mesmo grupo, com revisão de método em 2001; PIB em dólar a câmbio médio); % do PIB calculado. CSV.

7 · Brasil e o mundo

Dívida média, juros dos maiores

Dívida bruta e juros pagos, 2024

Dívida bruta, % do PIBJuros pagos, % do PIB
Japão
213,6%
1,5%
Estados Unidos
122,3%
4,0%
China (conta ampliada do FMI)
117,0%
sem dado
França
112,6%
2,1%
China
90,5%
1,0%
Brasil
87,0%
8,3%
Zona do Euro
86,3%
1,9%
Argentina
84,6%
1,7%
União Europeia
81,6%
1,9%
Alemanha
61,4%
1,1%
Colômbia
61,0%
4,4%
México
59,0%
6,5%
Chile
41,8%
1,2%

O Brasil não está entre os mais endividados; está entre os que mais pagam juros. O Japão deve mais que o dobro, em % do PIB, e paga 1,5% do PIB de juros. O Brasil paga 8,3%. Dados do FMI (Fiscal Monitor e Public Finances in Modern History) e do Eurostat. O FMI conta os títulos do Tesouro na carteira do Banco Central, por isso a dívida do Brasil aparece como 87,0% em 2024, contra 76,3% no número do Banco Central.

8 · Juros

Por que os juros são tão altos

Economistas divergem sobre o peso de cada causa. A corrente majoritária põe à frente o risco fiscal e a inflação. Críticos, como Lara Resende, defendem que a inflação brasileira reage pouco aos juros e que a Selic poderia ser bem menor.

O desafio para reverter

O problema funciona como um círculo: juros altos fazem a dívida crescer, a dívida maior aumenta a desconfiança, e a desconfiança mantém os juros altos. Para quebrar o círculo:

Na campanha. O plano de Flávio diz que a queda da dívida "puxa os juros para a média internacional" (p. 71), e Flávio estimou R$ 220 bi de economia com 2 pontos a menos nos juros futuros (13/10/2026). Esse ganho depende da Selic, que o Copom decide com o mandato de controlar a inflação. Fontes: BCB (Estatísticas Fiscais e nota de 30/09/2026), Tesouro (Relatório Mensal da Dívida de ago/2026), histórico do Copom, Ipea (BAPI nº 16, 2018). O VAR do Corte de Gastos detalha o mecanismo da Selic e das LFT na seção Juros.

9 · O remédio

Por que o juro é o remédio, e se há outros

Por que o Banco Central tem a missão de manter a inflação na meta

O que é a Selic

A taxa básica de juros do país. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central a define 8 vezes por ano para controlar a inflação. Ela serve de piso para os juros de toda a economia, inclusive os dos títulos do governo.

Out/2026: 13,75% ao ano.

Por que ela pesa no custo dos títulos

Mais da metade dos títulos rende a própria Selic. Quando o Banco Central sobe a Selic para frear a inflação, o custo desses títulos sobe no mesmo dia.

52,7% dos títulos federais rendem a Selic.

Os tipos de título: como cada um rende

Selic52,7%Inflação23,2%Prefixado20,3%

Títulos federais, ago/2026. Fonte: Tesouro Nacional, Relatório Mensal da Dívida de ago/2026, tabela 2.3.

Outros instrumentos contra a inflação

InstrumentoComo ageLimite
Juros (Selic)Encarece o crédito, esfria o consumo e o investimento e valoriza o realCusto em emprego, em investimento e na dívida pública
Contas públicasGastar menos ou arrecadar mais tira demanda da economia, com efeito parecido ao dos jurosDepende do governo e do Congresso; corte de gasto também tem custo social
Depósito compulsório e regras de créditoO BC obriga os bancos a guardar parte dos depósitos ou endurece regras de empréstimoAtinge só o crédito bancário e pode encarecer o empréstimo do mesmo jeito
Medidas de ofertaEstoques de alimentos, redução de tarifas de importação, investimento em energia e logísticaFuncionam para choques específicos e demoram a fazer efeito
DesindexaçãoAcabar com reajustes automáticos pela inflação passada, que fazem a inflação de hoje virar a de amanhãMexe em contratos, aluguéis, salários e títulos; exige lei e negociação
Congelamento de preçosProíbe reajustes por decretoFracassou cinco vezes de 1986 a 1991, com desabastecimento e volta da inflação

Por que o juro vira sempre o remédio amargo

Críticos, como André Lara Resende, defendem que a inflação brasileira reage pouco aos juros e que a Selic poderia ser bem menor. A corrente majoritária responde que, sem juros altos, o dólar e a inflação subiriam. Fontes: Lei Complementar 179/2021; Banco Central (regime de metas e Copom); Resolução CMN da meta contínua de 3%; Lei 13.483/2017 (TLP).

10 · Fatores e soluções

Soluções ou fatores que contribuem para a dívida

Onde o governo deixa de arrecadar

Além do que arrecada, o governo abre mão de parte dos impostos com isenções, alíquotas menores e regimes especiais. A Receita Federal chama isso de gasto tributário: funciona como um gasto, mas aparece como imposto que não entra.

R$ 612,8 bi
impostos federais que deixam de ser cobrados em 2026, 4,4% do PIB
R$ 1 de cada R$ 5
comparado ao que a Receita Federal arrecada (20,2%)
24%
vai para pequenas empresas, no Simples Nacional e no MEI, o maior item

Quem deixa de pagar: R$ 612,8 bi em 2026

Pequenas empresas145,6Agro e cesta básica80,1Saúde76,4IR de pessoas67,0Regional61,2Entidades55,9Aplicações36,9Indústria35,4Demais54,5

Valores em bilhões de reais, estimativa para 2026, só impostos federais. Benefícios de ICMS dos estados e de ISS dos municípios ficam de fora. Fonte: Receita Federal, Demonstrativo dos Gastos Tributários do PLOA 2026, quadros I e III; agrupamento do VAR.

11 · Para saber mais

História longa

Ver a dívida pública total desde 1950, em % do PIB
Dívida brutaDívida líquida
Inflação alta: medida distorcida0%20%40%60%80%100%120%19501960197019801990200020102020DutraVargasVargasCafé Filho, Carlos Luz e Nereu RamosJuscelino KubitschekJKJânio Quadros e João GoulartJangoDitadura militar, 1964 a 1985Ditadura militarSarneySarneyFernando CollorCollorItamar FrancoItamarFernando Henrique CardosoFHCLula 1 e 2Lula 1 e 2Dilma RousseffDilmaMichel TemerTemerJair BolsonaroBolsonaroLula 3Lula 3Fonte: FMI, só governo centralFMI: gov. geralBanco Central1234567891011121314151682,9%ago/202686,9% (2020)
  1. 11956 · Plano de Metas de JK
  2. 21964 · Golpe militar
  3. 31973 · 1º choque do petróleo
  4. 41979 · 2º choque do petróleo e alta dos juros nos EUA
  5. 51982 · Crise da dívida externa
  6. 61986 · Plano Cruzado
  7. 71987 · Moratória da dívida externa
  8. 81990 · Plano Collor e bloqueio da poupança
  9. 91994 · Plano Real
  10. 101998 · Acordo com o FMI
  11. 112002 · Crise na eleição e novo acordo com o FMI
  12. 122005 · Brasil quita a dívida com o FMI
  13. 132006 · Governo vira credor externo líquido
  14. 142008 · Crise financeira global
  15. 152015 · Recessão de 2015 e 2016
  16. 162020 · Pandemia

As linhas se interrompem quando a fonte muda de conceito: até 1999 o FMI mede só o governo central; de 2000 a 2005, o governo geral pelo conceito do FMI, que fica 8 a 11 pontos acima do número do Banco Central; desde 2006, o Banco Central. Entre 1980 e 1994 a inflação alta distorce a conta, e os picos de 91% (1984), 108% (1987) e 98% (1992) são efeito de medida.

Para saber mais

Por que houve hiperinflação nos anos 1980 e 1990

Inflação anual pelo IPCA. Passou de 99% em 1980 para 1.973% em 1989 e 2.477% em 1993. Quatro forças se somaram:

0%500%1.000%1.500%2.000%2.500%1980: 99,2%8099%1981: 95,6%811982: 104,8%821983: 164,0%831984: 215,3%841985: 242,2%851986: 79,7%8680%1987: 363,4%871988: 980,2%88980%1989: 1.972,9%891.973%1990: 1.621,0%901.621%1991: 472,7%911992: 1.119,1%921.119%1993: 2.477,2%932.477%1994: 916,5%94916%1995: 22,4%9522%1996: 9,6%961997: 5,2%971998: 1,6%982%1999: 8,9%992000: 6,0%00

Como acabou. O Plano Real (1994) criou a URV, uma unidade de conta que alinhou preços e salários antes da troca de moeda, junto com ajuste nas contas, abertura comercial e juros altos. O IPCA caiu para 22% em 1995 e 1,7% em 1998. Depois vieram as metas de inflação (1999) e a Lei de Responsabilidade Fiscal (2000).

A herança na dívida. Para vender títulos com inflação alta, o governo criou em 1987 a LFT, título que paga a taxa de juros do dia. Hoje 53% da dívida federal ainda segue a Selic; a seção Juros explica o mecanismo. Fonte da inflação: IBGE via Ipeadata. CSV.

Fontes

Fontes e dados

Fontes: Banco Central (dívida bruta e líquida, ago/2026); Tesouro Nacional (Relatório Mensal da Dívida de ago/2026, Plano Anual de Financiamento 2026, Relatório Anual da Dívida 2003); FMI (Historical Public Debt, Fiscal Monitor out/2026); Ipeadata. Dados: série histórica, estoque, interna e externa.

Dívida líquida interna e externa: BCB, séries 4513, 4524 e 4535 (dezembro de 2001 a ago/2026); 1991 a 2000 estimados pela proporção interna e externa em reais das séries do BCB no Ipeadata, sem a dívida externa de estados e municípios. CSV.