Checagem de dados · 2º turno de 25/10/2026 · situação em 21/10/2026

VAR do Corte de Gastos

O corte de gastos é a bandeira econômica de Flávio Bolsonaro, e o plano de governo dá a ele o nome de Tesouraço. Esta página testa a promessa contra os números oficiais do orçamento, da máquina pública, da dívida e dos juros, e testa também as afirmações do governo Lula sobre o mesmo tema.

Flávio Bolsonaro, plano de governo
Nossa bandeira é um grande TESOURAÇO: um corte profundo e por todos os lados, que enxuga a máquina, coloca as contas em ordem e reduz os impostos que pesam sobre quem produz.
"Para o Brasil Vencer o Atraso", registrado no TSE, p. 68 (13/08/2026) · PDF do plano
O orçamento de 2026 em 4 zooms

Do orçamento aprovado ao que dá para cortar

Cada faixa abre a parte destacada da faixa de cima e apresenta só os conceitos que ela usa.

1

O orçamento aprovado pelo Congresso: R$ 6,53 tri

De cada R$ 100: R$ 28 são rolagem da dívida (o Tesouro vende títulos novos para pagar os que vencem, e o dinheiro entra e sai) e R$ 3 são investimentos que Petrobras, Caixa e outras estatais pagam com o próprio caixa. Sobram R$ 69 de gasto de verdade.

  • Rolagem da dívida R$ 1,82 tri 28%
  • Investimento das estatais R$ 197,9 bi 3%
  • Orçamento real R$ 4,51 tri 69%
Rolagem da dívidaR$ 1,82 triOrçamento realR$ 4,51 tri
Conceitos desta faixa

Rolagem da dívida

Quando um título público vence, o Tesouro vende um título novo e usa o dinheiro para pagar o antigo. É uma troca de dívida velha por dívida nova: o valor entra e sai no mesmo ano.

Em 2026: R$ 1,82 tri, 28% do orçamento aprovado.

Investimento das estatais

Obras e equipamentos de empresas como Petrobras, Caixa e Banco do Brasil, pagos com o próprio caixa delas (97%). A direção de cada empresa decide; cortar esse valor não libera dinheiro para o Tesouro.

Em 2026: R$ 197,9 bi.

Dívida bruta

Tudo o que o governo deve, somando União, estados e municípios. Cresce com os déficits e com os juros.

Ago/2026: 82,9% do PIB.

2

O orçamento real: R$ 4,51 tri

De cada R$ 100 gastos de verdade: R$ 71 vão para a população e a máquina pública (despesa primária) e R$ 14 pagam juros da dívida. Outros R$ 9 abatem a dívida e R$ 6 vão para empréstimos e reserva.

  • Despesa primária R$ 3,20 tri 71%
  • Juros da dívida R$ 643,9 bi 14%
  • Pagamento da dívida R$ 397,5 bi 9%
  • Empréstimos e reserva R$ 272,3 bi 6%
Despesa primáriaR$ 3,20 triJuros da dívidaR$ 643,9 bi
Conceitos desta faixa

Despesa primária

Tudo o que o governo gasta para funcionar e atender a população: aposentadorias, salários, saúde, educação, Bolsa Família, obras. Os juros da dívida ficam de fora.

Em 2026: R$ 3,2 tri. Sem os repasses a estados e municípios, R$ 2,6 tri, 19% do PIB.

Juros da dívida

O que o governo paga a quem empresta dinheiro a ele, comprando títulos públicos. Sobem quando a Selic sobe. Ficam fora da despesa primária e de qualquer teto de gastos.

No orçamento de 2026: R$ 643,9 bi. Na medida do Banco Central, 2025: R$ 1 trilhão.

Pagamento da dívida

Parte do principal da dívida paga com receitas do governo, como lucros do Banco Central e retornos de empréstimos. Diferente dos juros, esse dinheiro faz a dívida diminuir. O nome técnico é amortização.

Em 2026: R$ 397,5 bi.

Resultado primário

Receitas menos despesas primárias, sem contar os juros. Superávit é quando sobra dinheiro; déficit é quando falta.

Meta de 2026: superávit de 0,25% do PIB (R$ 34,3 bi), com margem de 0,25 ponto.

3

A despesa primária: R$ 3,2 tri

De cada R$ 100: R$ 35 em aposentadorias do INSS, R$ 19 em repasses a estados e municípios, R$ 14 em salários de servidores, R$ 13 em BPC, abono e seguro-desemprego, R$ 12 em Bolsa Família e saúde, R$ 1 em emendas. Só R$ 6 o governo pode cortar sem mudar a lei.

  • Aposentadorias (INSS) R$ 1,13 tri 35%
  • Estados e municípios R$ 608,4 bi 19%
  • Salários de servidores R$ 456,9 bi 14%
  • BPC, abono, seguro-desemprego R$ 416,8 bi 13%
  • Bolsa Família e saúde R$ 371,5 bi 12%
  • Emendas R$ 40,8 bi 1%
  • Discricionárias R$ 186,2 bi 6%
Obrigatórias: a lei manda pagar · 94%
Aposentadorias (INSS)R$ 1,13 triEstados e municípiosR$ 608,4 biSalários de servidoresR$ 456,9 bi
Conceitos desta faixa

Despesa obrigatória

A parte que o governo tem de pagar porque a Constituição ou uma lei manda: aposentadorias do INSS, BPC, salários de servidores, pisos de saúde e educação, repasses a estados e municípios. Para mexer nela é preciso mudar a lei.

Em 2026: 94% da despesa primária.

Emendas parlamentares

Dinheiro do orçamento que deputados e senadores indicam para obras e serviços nas suas bases. A maior parte é de pagamento obrigatório.

Em 2026: R$ 40,8 bi de pagamento obrigatório no projeto; cerca de R$ 50 bi no total aprovado.

4

O que dá para cortar sem mudar a lei: R$ 186 bi

Aqui estão universidades e institutos federais, bolsas da Capes e do CNPq, Farmácia Popular, obras e PAC, custeio da máquina e Forças Armadas. Zerar tudo isso ainda fica abaixo do corte atribuído à campanha.

Despesas discricionárias
R$ 186 bi
Corte prometido
R$ 190 a 300 bi
Conceitos desta faixa

Despesa discricionária

A parte em que o governo escolhe quanto gastar e onde, e que pode cortar por decisão própria: obras, custeio da máquina (aluguel, energia, passagens), bolsas de pesquisa, compras das Forças Armadas.

Em 2026: R$ 186,2 bi no projeto; R$ 188,5 bi com os ajustes do ano.

Gastos tributários

Impostos que o governo deixa de cobrar por isenções e benefícios a setores, empresas e pessoas: Simples Nacional, Zona Franca de Manaus, deduções do Imposto de Renda. Funcionam como gasto, mas aparecem como receita que não entra.

Em 2026: R$ 612,8 bi.

+

Para comparar governos

O resto da página compara anos e governos diferentes. Para isso usa uma régua só.

Conceitos desta faixa

% do PIB

Forma de comparar gastos de anos diferentes: mostra o tamanho do gasto em relação a tudo o que o país produz no ano. Desconta o efeito da inflação e do crescimento da economia.

Exemplo: 19% do PIB é quase um quinto da economia.

Cuidado com a pizza que circula nas redes. O gráfico de "quase metade do orçamento vai para a dívida" soma a rolagem: R$ 2,86 tri de R$ 6,53 tri, 43,9%. No orçamento real, os juros são R$ 14 de cada R$ 100.

Dois números de juros. O orçamento federal reserva R$ 643,9 bi para juros em 2026, o que a União paga em caixa. O Banco Central mede R$ 1,0 trilhão em 2025 para todo o setor público, contando os juros que vencem no ano. As duas medidas estão corretas e medem coisas diferentes.

Valores do projeto de lei do orçamento de 2026, aprovado com os mesmos totais (R$ 6,5 tri, R$ 1,8 tri de rolagem). Faixas 1 e 2: Nota Técnica Conjunta das consultorias de orçamento do Senado e da Câmara, tabelas 2.1, 2.3 e 2.4. Faixas 3 e 4: mesma nota, tabela 4.2 (demonstrativo do resultado primário); a soma difere em R$ 14 bi da faixa 2 por diferença de conceito. Com os ajustes feitos ao longo de 2026, as discricionárias do Executivo estão em R$ 188,5 bi. Dados: CSV.

A pergunta do VAR

O corte cabe nos números?

R$ 190 a 300 bi
corte por ano prometido pela coordenação econômica ou atribuído à campanha em reportagens
R$ 188,5 bi
todas as despesas discricionárias do Executivo em 2026
91,7%
parcela obrigatória da despesa primária no PLOA 2027
até R$ 0,5 bi
economia anual estimada para o corte de 10 ministérios

O corte prometido é grande para o espaço disponível. R$ 200 bi superam todas as despesas discricionárias do Executivo em 2026 (R$ 188,5 bi). Um corte desse tamanho exige mexer em despesas obrigatórias, em renúncias tributárias ou nas emendas, e quase tudo isso depende de mudança na Constituição ou em lei.

Ver onde está o espaço fiscal ↓
VARPlacar dos vereditosAfirmações dos dois lados sobre gasto, máquina, dívida e juros, testadas com dados oficiais.26
CONFIRMADOo dado oficial sustenta a frase5
CONFIRMADO COM RESSALVAo núcleo procede, com número arredondado, recorte escolhido ou contexto que muda a leitura13
ENGANOSOo número existe, mas a conclusão tirada dele leva a erro4
FALSOo dado oficial contradiz a frase2
SEM DADOSfalta número público para testar2
Ver os vereditos ↓
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Resumo em números

Bolsonaro x Lula 3, lado a lado

IndicadorBolsonaro2019-2022Lula 32023-2025Fonte
Ministérios (posse → hoje ou fim)22 → 2337 → 38Poder360; Metrópoles
Despesa primária do governo central, média, % do PIB (bruta)20,2418,99Tesouro
Idem, sem pandemia18,2518,99Tesouro, cálculo próprio
Cartão corporativo (CPGF), governo inteiro, média mensal realR$ 7,06 miR$ 9,77 miPortal da Transparência
Cartão, núcleo presidencial, média mensal realR$ 1,14 miR$ 1,34 miCasa Civil; Portal
Resultado primário médio, % do PIB-2,8 (-0,4 sem 2020)-1,0 (-0,7 sem os precatórios de 2023)Tesouro

Orçamento: juros, despesas obrigatórias, renúncias e emendas

IndicadorBolsonaro2019-2022Lula 32023-2025Fonte
Juros nominais do setor público, média, % do PIB4,977,51BCB
Despesas obrigatórias, média, % da despesa primária91,7%91,5%Tesouro, cálculo próprio
Despesas discricionárias, média, % do PIB1,641,62Tesouro
Gastos tributários (renúncias), média, % do PIB4,574,66 (2024 e 2025 são projeções)Receita Federal (DGT)
Emendas parlamentares pagas, com restos a pagar, média, % do PIB0,240,33 (2023 e 2024)Siga Brasil via Estadão Verifica, CNN e Correio Braziliense

Médias de Lula 3 cobrem 2023 a 2025; valores do cartão vão até ago/2026.

Lula 3 gasta mais em

  • Despesa primária sem pandemia: 18,99% contra 18,25% do PIB
  • Ministérios: 37 a 38 contra 22 a 23
  • Cargos e funções de confiança: +9,5% de dez/2022 a nov/2025, para 50.770
  • Custeio administrativo em reais: R$ 68,1 bi contra R$ 63,6 bi por ano
  • Cartão corporativo, governo inteiro: R$ 9,77 mi contra R$ 7,06 mi por mês (+38%)
  • Cartão, núcleo presidencial: R$ 1,34 mi contra R$ 1,14 mi por mês
  • Dívida bruta: +11,2 pontos do PIB até ago/2026, contra -3,6

Bolsonaro gastou mais em

  • Despesa primária, média bruta: 20,24% contra 18,99% do PIB, por causa de 2020
  • Pessoal ativo do Executivo: 1,72% contra 1,42% do PIB; R$ 195,5 bi contra R$ 183,9 bi por ano
  • Custeio administrativo em % do PIB: 0,56% contra 0,53%
  • Investimento federal, média: 0,81% contra 0,71% do PIB (0,62% sem 2020)
  • Cartão da Presidência inteira e da Abin: R$ 2,30 mi contra R$ 2,10 mi e R$ 0,83 mi contra R$ 0,41 mi por mês
  • Precatórios adiados: R$ 92,4 bi pelas ECs 113 e 114 de 2021, pagos em dez/2023

Leitura rápida

Como funciona o orçamento

Obrigatórias, discricionárias e o que não se corta por decreto

O orçamento federal tem duas partes. As despesas obrigatórias são fixadas pela Constituição e por leis: Previdência, pessoal, BPC, pisos de saúde e educação. As discricionárias são escolhidas a cada ano pelo governo: custeio, obras, bolsas. Um corte feito só pelo orçamento anual alcança a segunda parte.

O ciclo das três leis

LeiHorizonteEnvio ao CongressoDevolução
PPA (Plano Plurianual)4 anos, do 2º ano de um mandato ao 1º do seguinte31/08 do 1º ano do mandatofim da sessão legislativa
LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias)metas do ano e dos 3 seguintes15/0417/07
LOA (Lei Orçamentária Anual)1 ano31/0822/12
  • A cada dois meses o Executivo reestima receitas e despesas (relatório bimestral).
    • Bloqueio: corte de discricionárias para caber no limite de despesa, quando obrigatórias como Previdência e BPC crescem.
    • Contingenciamento: corte de discricionárias para cumprir a meta de resultado primário, quando a receita frustra.
    • Exemplo: no 4º bimestre de 2026 foram contidos R$ 16,1 bi (R$ 2,4 bi de bloqueio e R$ 13,6 bi de contingenciamento).

O arcabouço fiscal (LC 200/2023)

  • Limite de despesa: cresce pela inflação mais 70% do crescimento real da receita (50% se a meta do ano anterior falhar), entre 0,6% e 2,5% reais por ano. Em 2025, 2026 e 2027 o crescimento real ficou no teto de 2,5%.
  • Meta de resultado primário, com banda de tolerância de 0,25 ponto do PIB:
AnoMetaResultado ou projeção
20240%-0,36% efetivo; -0,1% após deduções
20250%-0,48% efetivo; -0,1% após deduções, dentro da banda
2026+0,25% (R$ 34,3 bi)déficit de R$ 80,9 bi sem deduções, projeção do 4º bimestre
2027+0,5% (R$ 73,2 bi)PLOA: +R$ 18,6 bi efetivo; IFI: -R$ 86,1 bi
2028 a 2030+1,0%, +1,25%, +1,5%
  • Exceções: ficam fora do limite as transferências a estados e municípios, a complementação do Fundeb, os créditos extraordinários e parte dos precatórios. A IFI calcula que o limite cobre 91,2% da despesa primária e que R$ 230,7 bi ficam fora (RAF 108). Em 2026, R$ 62,8 bi foram deduzidos da meta.
  • Gatilhos (LC 211/2024): como 2025 fechou em déficit, ficam vedados novos benefícios tributários e a despesa de pessoal só pode crescer 0,6% real até 2030.
  • Piso das discricionárias: 75% do valor autorizado (LC 200, art. 7º).

Obrigatórias e discricionárias

Item (R$ bi)2025 realizado2026 reprogramadoPLOA 2027
Despesa primária total2.394,22.645,62.830,1
Benefícios da Previdência (RGPS)1.026,91.133,01.215,1
Pessoal e encargos402,6449,9474,1
Outras obrigatórias (BPC, abono, seguro-desemprego, Fundeb e outras)390,6455,4477,8
Obrigatórias com controle de fluxo (Bolsa Família, parte da saúde)369,4381,0396,3
Discricionárias do Executivo170,6188,5222,1
Emendas impositivas34,337,844,8
Transferências a estados e municípios (FPE, FPM etc.)569,7643,6610,6
Juros nominais do governo central (fora do primário)891,91.128,71.154,0

Fonte: Informativo Conjunto das Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado sobre o PLOA 2027 (set/2026).

  • As obrigatórias são 92,4% da despesa primária no PLOA 2026 e 91,7% no PLOA 2027. Pela métrica da IFI, 90,8% e 89,4%.
  • A IFI estima que as discricionárias "não rígidas" de 2026 somam R$ 120,5 bi (0,9% do PIB), perto do mínimo de 0,7% do PIB para a máquina funcionar, e que "No cenário base, a insuficiência ocorre a partir de 2028" (RAF 113).

Despesa do governo federal por bloco, 2026 reprogramado (R$ bi)

Cinza: despesas obrigatórias. Verde: discricionárias do Executivo, R$ 188,5 bi em 2026. Violeta: transferências a estados e municípios. Amarelo: juros, despesa financeira fora do resultado primário.

Fonte: Informativo Conjunto das Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado, PLOA 2027 (set/2026) · orcamento-2025-2027.csv

Ver os dados em tabela
Item2026 reprogramado
Benefícios previdenciários (RGPS)1.133
Juros nominais (governo central)1.129
Transferências por repartição de receita (FPE, FPM etc.)643,6
Outras obrigatórias (inclui BPC, abono, seguro-desemprego, Fundeb)455,4
Pessoal e encargos449,9
Obrigatórias com controle de fluxo (inclui Bolsa Família e parte da saúde)381
Discricionárias do Executivo188,5
Emendas impositivas37,8

O que só muda com emenda constitucional ou lei

DespesaValor (PLOA 2027)AmarraLigada ao salário mínimo?
Previdência (RGPS)R$ 1.215,1 bipiso de 1 salário mínimo (CF art. 201); regras da EC 103/2019sim, no piso
PessoalR$ 474,1 biirredutibilidade (CF art. 37, XV) e estabilidade (art. 41)não
SaúdeR$ 272,2 bipiso de 15% da receita corrente líquida (CF art. 198)não
EducaçãoR$ 211,9 bipiso de 18% da receita de impostos (CF art. 212); mínimo de 2027: R$ 138,8 binão
Bolsa FamíliaR$ 155,8 bilei (Lei 14.601/2023)não
BPCR$ 154,2 bi1 salário mínimo a idoso ou pessoa com deficiência pobre (CF art. 203)sim
Abono e seguro-desempregoR$ 104,8 biCF art. 239; EC 135/2024 restringiu o abonosim, no piso
PrecatóriosR$ 101,2 bidecisões judiciais (CF art. 100)não
Complementação do FundebR$ 73,9 bi23% (CF art. 212-A, EC 108/2020)não
Emendas impositivasR$ 44,8 biECs 86/2015, 100/2019 e 126/2022não
FPE e FPMparte dos R$ 610,6 bipercentuais do IR e do IPI (CF art. 159)não
Juros da dívidaR$ 1.154,0 bidespesa financeira; depende da Selic e da dívidanão
  • Salário mínimo: a Lei 14.663/2023 dá INPC mais o crescimento do PIB de dois anos antes; a Lei 15.077/2024 limita o ganho real a 2,5%. Cada R$ 1 a mais no mínimo custa cerca de R$ 413 mi por ano (PLDO 2027).
  • Cerca de 70% dos 41 milhões de benefícios do INSS têm o valor do piso.
Onde está o espaço fiscal

Quanto rende cada opção de corte

Cada opção de corte tem três atributos: o valor, a exigência legal e o público afetado. O gráfico põe todas na mesma régua, ao lado do corte prometido ou atribuído à campanha.

Quanto vale cada percentual do PIB:

CortePIB 2026 (R$ 13.683 bi)PIB 2027 (R$ 14.783 bi)
1,5% do PIBR$ 205 biR$ 222 bi
2,0% do PIBR$ 274 biR$ 296 bi

Opções com número publicado:

OpçãoValorExigeQuem sente
Fundir 10 ministériosR$ 3,5 mi a R$ 500 mi por anoMP ou leiestrutura administrativa
Cortar 1.000 cargos comissionadosR$ 41,5 mi por anodecreto ou leiocupantes dos cargos
Discricionárias do Executivo (todas)R$ 188,5 bi em 2026orçamentouniversidades, bolsas, Farmácia Popular, obras, custeio
Emendas parlamentaresR$ 49,9 bi em 2026PEC, para as impositivasmunicípios e obras indicadas por parlamentares
Gastos tributários (renúncias)R$ 612,8 bi em 2026lei; alguns estão na Constituição (Simples, Zona Franca)empresas e famílias beneficiadas
Supersalárioscerca de R$ 20 bi por ano, todas as esferaslei ou PECmagistratura, MP e outras carreiras
Previdência dos militares (PL 4.920/2024)cerca de R$ 2 bi por ano; déficit de R$ 52,3 bi em 2024leimilitares
Previdência e BPC só pela inflaçãoR$ 1,1 tri de 2025 a 2034PECcerca de 29 milhões de benefícios no piso deixam de ter ganho real
Pisos de saúde, educação e Fundeb só pela inflaçãoR$ 97 bi de 2026 a 2028PECSUS e escolas deixam de crescer com a receita
Pacote de dez/2024 (governo Lula)R$ 71,9 bi em 2025-2026já aprovadoBPC, abono, salário mínimo
Securitização da dívida ativaR$ 200 bi a R$ 400 bi, uma única vezleiantecipa receita; a despesa fica igual

O que a conta mostra:

  • Ministérios, cargos e custeio somam centenas de milhões, não centenas de bilhões.
  • Os blocos grandes são Previdência, BPC, pisos de saúde e educação, gastos tributários e emendas. Todos exigem PEC ou lei, e os três primeiros atingem diretamente beneficiários de baixa renda.
  • Receitas extraordinárias (securitização, venda de imóveis, royalties antecipados) melhoram o caixa uma vez e não reduzem a despesa recorrente. Em 2025 a PGFN arrecadou R$ 68,1 bi em dívida ativa.
  • Pedro Paulo Zahluth Bastos (Unicamp): "Um corte de R$ 200 bilhões que preserve os benefícios sociais zera o resto" (Agência Brasil, 14/10/2026).
  • Luiz Fernando Figueiredo (ex-diretor do BC): 1,5% do PIB "é relevante, mas não é suficiente"; o ajuste necessário seria de 3% a 3,5% do PIB, gradual (Times Brasil).
  • A IFI calcula que estabilizar a dívida exige superávit primário de 2,1% do PIB por ano (RAF 113).

Opções de corte e o corte prometido (R$ bi, escala logarítmica)

Escala logarítmica: cada linha de grade vale 10 vezes a anterior. Os períodos diferem entre as opções (por ano, dez anos, uma vez) e estão entre parênteses. Barras flutuantes mostram faixas.

Fonte: Câmara (CONOF); IFI; Receita Federal; LOA 2026; Pessoas à Frente e República.org; imprensa, linha a linha · espaco-fiscal.csv

Ver os dados em tabela
ItemValor
Corte prometido ou atribuído à campanha (por ano)190 a 300
Corte de 10 ministérios (por ano)0,0035 a 0,5
Extinção de cargos comissionados (cada 1.000) (por ano)0,0415
Discricionárias do Executivo (total) (2026)188,5
Discricionárias não rígidas (2026)120,5
Emendas parlamentares (3 modalidades) (2026)49,9
Gastos tributários (total) (2026, estimativa)612,8
Supersalários acima do teto (todas as esferas, provável) (ago/2024 a jul/2025)20
Controle de supersalários, cenário duro (10 anos)186,4
Previdência dos militares, déficit (2024)52,3
Previdência dos militares, PL 4.920/2024 (por ano)2
Previdência e BPC só pela inflação (2025 a 2034)1.100
Pisos de saúde, educação e Fundeb só pela inflação (2026 a 2028)97
Pacote de revisão de gastos de dez/2024 (Lula) (2025 a 2026)71,9
Spending review do PLDO 2027 (2026 a 2029)55,4
Securitização da dívida ativa (proposta Daniella Marques) (uma vez)200 a 400
Promessas da campanha x números

As cifras do corte, data por data

As cifras de corte associadas à campanha de Flávio mudaram ao longo de 2026. A linha do tempo registra quem disse cada número e onde ele foi publicado.

Linha do tempo das cifras:

DataQuemNúmeroFonte
22/04/2026Folha, sobre a equipe de Flávioajuste de cerca de 2% do PIBBahia Notícias; Flávio chamou de "fake news" em 23/04
08/05/2026Fláviode 39 para cerca de 27 ministériosPoder360
03/08/2026Daniella Marques, coordenadora econômicacorte de 1,5% do PIB, cerca de R$ 190 biGazeta do Povo
13/08/2026Plano de governo (76 páginas, registrado no TSE)no mínimo 10 ministérios; nenhum valor em R$"Para o Brasil Vencer o Atraso"
14/09/2026Daniella Marques"Vamos usar de inspiração no que foi feito pelo governo de Javier Milei, na Argentina"Exame
25/09/2026interlocutores não identificadosR$ 300 bi via "PEC da Transição"CNN Brasil
07/10/2026Folha, sobre a equipe de Flávio2% do PIB (R$ 250 bi), com pisos e benefícios corrigidos só pela inflaçãoIstoÉ Dinheiro; Brasil de Fato
10/10/2026Lula"de onde ele vai cortar 250 bilhões de reais do orçamento"Congresso em Foco
16/10/2026Flávio10 ministérios a menos; R$ 200 bi de receita com imóveis e securitizaçãoAos Fatos; CNN Brasil

O que diz cada lado:

  • Plano de governo (p. 68 a 71): Tesouraço; corte de no mínimo 10 ministérios; menos cargos comissionados e despesas administrativas; combate a penduricalhos e supersalários; nova regra fiscal focada na dívida; "uma regra clara de controle de gastos discricionários dos três Poderes"; superávits primários; revisão da reforma tributária com IVA menor. O texto não traz meta em reais, prazo, nem custo dos cortes de impostos.
  • Daniella Marques (14/09/2026): "Já assumimos o compromisso de não alterar os programas sociais." "Nossa proposta focará no corte de privilégios, tanto na estrutura da máquina pública quanto em benefícios tributários."
  • Flávio (16/10/2026, TV Globo): "Eu não vou fazer economia com as pessoas que mais precisam do governo." Descartou mexer nos pisos de saúde e educação e prometeu manter o ganho real do salário mínimo e a ligação das aposentadorias com ele.
  • Campanha, sobre as reportagens da Folha e da CNN: "A orientação econômica da candidatura não é definida por relatos ou ilações de terceiros"; a orientação "está expressa, de forma objetiva e verificável, no plano de governo".
  • Lula (10/10/2026): "Vai ser dos aposentados? Vai ser do Bolsa Família? Vai ser do não aumento de salário mínimo?"

O corte cabe? Cifras da campanha ao lado do espaço disponível (R$ bi)

Amarelo: cifras de corte associadas à campanha. Verde: blocos de despesa e opções com valor publicado. A soma das discricionárias de 2026 fica abaixo de cada uma das cifras de corte; a campanha não publicou a lista de medidas.

Fonte: Gazeta do Povo; Folha via IstoÉ Dinheiro; CNN Brasil; Consultorias de Orçamento (PLOA 2027); IFI RAF 113; LOA 2026; CONOF · promessas-numeros-campanha.csv

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ItemR$ bi
PEC de R$ 300 bi citada pela CNN300
Corte de 2% do PIB descrito pela Folha (R$ 250 bi)250
Corte de 1,5% do PIB, Daniella Marques (R$ 190 bi)190
Todas as discricionárias do Executivo, 2026188,5
Discricionárias não rígidas, 2026 (IFI)120,5
Emendas parlamentares, LOA 202649,9
Supersalários, todas as esferas, por ano20
Corte de 10 ministérios, por ano (teto das estimativas)0,5

Vereditos desta seção

Daniella Marques e Flávio
Corte de 1,5% do PIB (cerca de R$ 190 bi) sem mexer em programas sociais
SEM DADOS

Nenhum documento detalha as medidas. Os itens citados (ministérios, cargos, custeio, supersalários) somam bem menos; o valor exige renúncias tributárias, emendas ou obrigatórias

Flávio, 16/10
R$ 200 bi "por ano" de securitização de dívidas a receber
ENGANOSO

Securitização antecipa receita futura uma vez; a PGFN arrecada cerca de R$ 68 bi por ano em dívida ativa

Folha; Lula
A campanha estuda corrigir pisos, aposentadorias e BPC só pela inflação
CONFIRMADO COM RESSALVA

Reportagens de abr, set e out/2026 relatam o estudo; a campanha nega e o plano registrado não traz a medida

Plano de Flávio, p. 8 e 70
"A dívida pública [...] voltou a crescer de forma acelerada, um salto de cerca de 13 pontos do PIB em apenas quatro anos"
CONFIRMADO COM RESSALVA

A alta medida pelo BCB é de 11,2 pontos (71,7% em dez/2022 para 82,9% em ago/2026); a IFI projeta 82,5% em dez/2026

Plano de Flávio, p. 70
"Mesmo diante da maior pandemia em cem anos, reduzimos em 4 pontos percentuais" a dívida
CONFIRMADO COM RESSALVA

Foi de 75,3% para 71,7% (-3,6 pontos). A inflação de 2021 e 2022 inflou o PIB, e o resultado de 2022 contou com dividendos e precatórios adiados

Lula, 18/10
Flávio "vai seguir a motosserra do Milei"
CONFIRMADO COM RESSALVA

A coordenadora disse que o plano se inspira em Milei; Flávio usa "tesouraço" e evitou adotar o modelo no debate

atribuído a Flávio em manchetes
Cortar 10 ministérios economiza R$ 200 bi
ENGANOSO

Ver Ministérios

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Ministérios

Quantos são e quanto custam

Um ministério custa em duas camadas: a estrutura (cúpula, cargos comissionados, prédio, custeio) e os programas que a pasta paga à população. Uma fusão de pastas alcança a estrutura.

Quantos

GovernoInícioFimObservação
FHC 1 (1995-1998)26IPEA, total com status de ministério
FHC 2 (1999-2002)27IPEA
Lula 1 (2003-2006)30IPEA
Lula 2 (2007-2010)37IPEA
Dilma 1 (2011-2014)39IPEA, recorde da série
Dilma 2 (2015-2016)39cerca de 31MP 696/2015 extinguiu 8 postos de ministro
Temer (2016-2018)29Poder360, 05/12/2018
Bolsonaro (2019-2022)2223Comunicações recriado em 10/06/2020; Trabalho e Previdência recriado em jul/2021 quando o Banco Central perdeu o status de ministério
Lula 3 (2023-2026)373838 desde set/2023 (Empreendedorismo); 39 em 2024 com o Ministério Extraordinário da Reconstrução do RS
Flávio (promessa para 2027)28 ou menos"corte de no mínimo 10 ministérios" (plano, p. 69)

Promessas e falas sobre o número de pastas:

  • Bolsonaro, campanha de 2018: no máximo 15 ministérios. Tomou posse com 22. Em jun/2020: "a gente queria 15 ministérios, botamos um número" e, sobre a recriação das Comunicações, "Nenhum cargo foi criado, exceto o do próprio ministro" (Poder360, 12/06/2020).
  • Lula, 20/01/2026, no Estaleiro Rio Grande (RS): "quanto menos ministério você tem, mais incompetente você é" (Metrópoles).
  • Flávio, 08/05/2026, à CNN: "Hoje tem 39 ministérios." "Estamos trabalhando com algo em torno de 27 ministérios" (Poder360).
  • Flávio, 16/10/2026, sabatina da TV Globo: "Hoje, vocês sabem que o atual governo tem 39 ministérios. A gente vai cortar pelo menos 10." Em seguida: "É óbvio que isso não gera um grande impacto nas contas", "não gera uma economia na proporção de 200 bilhões de reais por ano" (Aos Fatos; CNN Brasil).
  • Ministério da Prosperidade: Flávio promete criar uma pasta nova ("Eu vou criar o Ministério da Prosperidade", horário eleitoral de 09/10/2026 e debate da Band de 18/10/2026). A conta de "10 a menos" inclui essa criação, sem detalhamento público de quais pastas seriam fundidas.
  • Pablo Marçal: em 29/09/2026 Flávio disse que "O Pablo Marçal está vindo para nos ajudar nessa parte de empreendedorismo, de mobilidade social". A CBN informou cargo com status de ministério. Não há nomeação formal nem pasta definida (Agora RN, 30/09/2026).

Ministérios por governo, no início e no fim

Lula 3 tem 38 pastas desde set/2023 (39 em 2024). Bolsonaro começou com 22 e terminou com 23. A promessa de Flávio é de 28 ou menos, com a criação do Ministério da Prosperidade incluída na conta.

Fonte: IPEA BAPI n.12; Poder360; Metrópoles; plano de governo de Flávio, p. 69 · ministerios-contagem.csv

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InícioFim
FHC 126sem dado
FHC 227sem dado
Lula 130sem dado
Lula 237sem dado
Dilma 139sem dado
Dilma 23931
Temersem dado29
Bolsonaro2223
Lula 33738
Promessa Fláviosem dado28

Quanto custa um ministério

O custo de um ministério tem duas partes:

  • Estrutura: salário do ministro e da cúpula, cargos comissionados, prédio, custeio administrativo. É a parte que uma fusão pode reduzir.
  • Programas: o que a pasta paga à população e a estados e municípios. A Previdência paga o INSS; o Desenvolvimento Social paga o Bolsa Família e o BPC; a Saúde financia o SUS. Essa parte continua igual depois de uma fusão, porque a lei obriga o pagamento.

Medidas já feitas e o que renderam:

MedidaEconomiaTipo de número
Dilma, MP 696/2015: 8 ministros e 1 secretário-executivo a menosR$ 3,5 mi por anomedido pela Consultoria de Orçamento da Câmara (NI 13/2016), que registrou que "nenhuma dotação foi cortada"
Parâmetro da CâmaraR$ 41,5 mi por ano a cada 1.000 cargos comissionados22,5 mil cargos custavam R$ 927 mi por ano
Temer, dez/2016: 4.689 cargos e funções extintosR$ 240 mi por anoprojeção do governo
Bolsonaro, Decreto 9.725/2019: cerca de 21 mil cargos, funções e gratificaçõesR$ 194,9 mi por anoprojeção do governo
Lula 3: custo de criar as novas pastascerca de R$ 500 mi por anoestimativa de Ciro Nogueira, então opositor (Revista Oeste, 23/12/2022)

Escala: a despesa primária do governo central foi R$ 2.394 bi em 2025. R$ 240 mi equivalem a 0,01% dela. A medida que capta o custo da estrutura é o custeio administrativo do governo inteiro, de R$ 68,2 bi em 2025 (0,535% do PIB).

Economia anual de cortes de pastas e cargos (R$ milhões)

Medidas, parâmetros e projeções em milhões de reais por ano. O maior valor, R$ 500 mi, equivale a 0,02% da despesa primária de 2025 (R$ 2.394 bi).

Fonte: Câmara, CONOF NI 13/2016; TNH1; Seu Dinheiro/Estadão; Revista Oeste · economia-corte-ministerios.csv

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ItemR$ mi por ano
Dilma, MP 696/2015: extinção de 8 postos de ministro e 1 secretário-executivo3,5
Dilma, mesma reforma: projeção do governo (custeio)200
Parâmetro CONOF: cada 1.000 cargos comissionados41,5
Temer, extinção de 4.689 cargos e funções (dez/2016)240
Bolsonaro, Decreto 9.725/2019: cerca de 21 mil cargos, funções e gratificações194,9
Lula 3, custo atribuído à criação de pastas (estimativa de Ciro Nogueira, opositor)500

Cargos e servidores

DataCargos e funções de confiança no ExecutivoServidores civis ativos do Executivo
início de 2019cerca de 631 mil
dez/201931.379
dez/202132.932
dez/202246.353cerca de 565 mil
dez/202347.726571.873
dez/202449.420574.930
nov/202550.770
jun/2026569.230

Fontes: Painel Estatístico de Pessoal (PEP) via CNN Brasil (15/12/2025), IBGE (Anuário) e Poder360 (17/08/2026).

  • O salto de 2021 para 2022 coincide com a troca do sistema de cargos (CCE e FCE, Lei 14.204/2021) e provavelmente reflete mudança de contagem. A comparação limpa começa em dez/2022.
  • De dez/2022 a nov/2025, cargos e funções subiram 9,5% (de 46.353 para 50.770). Na administração direta, de 23,1 mil para 26,9 mil (+16,4%). O MGI diz que 80% são funções de confiança, ocupadas só por servidores de carreira.
  • O número de servidores ativos caiu cerca de 66 mil no governo Bolsonaro e ficou estável no governo Lula 3 (565 mil em dez/2022, 569 mil em jun/2026), com concursos (CNU 1 com 6.640 vagas e CNU 2 com 3.652) compensando aposentadorias.

Cargos e funções de confiança no Executivo

O salto de 2021 para 2022 coincide com a troca do sistema de cargos (CCE e FCE). De dez/2022 a nov/2025 a alta foi de 9,5%.

Fonte: Painel Estatístico de Pessoal via CNN Brasil (15/12/2025) · cargos-e-servidores.csv

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Cargos e funções
2019-1231.379
2020-1232.224
2021-1232.932
2022-1246.353
2023-1247.726
2024-1249.420
2025-1150.770

Servidores civis ativos do Executivo federal

Cerca de 66 mil servidores a menos no governo Bolsonaro; número estável no governo Lula 3, com concursos compensando aposentadorias.

Fonte: Painel Estatístico de Pessoal; IBGE, Anuário; Poder360 (17/08/2026) · cargos-e-servidores.csv

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Servidores ativos
2017-09634.904
2019-01631.000
2022-06569.217
2022-12565.000
2023-06556.134
2023-12571.873
2024-06572.990
2024-12574.930
2025-06573.485
2026-06569.230

Vereditos desta seção

Flávio
"O atual governo tem 39 ministérios" (08/05 e 16/10/2026)
CONFIRMADO COM RESSALVA

São 38 desde o fim do ministério extraordinário do RS; 39 valeu em 2024

Flávio
Cortar 10 ministérios "não gera uma economia na proporção de 200 bilhões"
CONFIRMADO

Cortes de pastas e cargos renderam de R$ 3,5 mi a R$ 240 mi por ano

Metrópoles, Jornal de Brasília, Gazeta Brasil (16/10)
Manchetes "Flávio promete corte de 10 ministérios e economia de R$ 200 bilhões"
ENGANOSO

A transcrição do Aos Fatos e da CNN mostra que ele disse o contrário; os R$ 200 bi citados vinham de receitas (imóveis e securitização)

campanha de 2018
Bolsonaro prometeu no máximo 15 ministérios
CONFIRMADO

Tomou posse com 22 e terminou com 23

oposição
Lula aumentou o número de ministérios e de cargos
CONFIRMADO COM RESSALVA

23 para 37 e depois 38; cargos e funções +9,5% desde dez/2022. O número de servidores ativos ficou estável e a folha caiu em % do PIB (ver Máquina pública)

Flávio
Promessa de "10 a menos" e criação do Ministério da Prosperidade
SEM DADOS

O plano não diz quais pastas sairiam nem quanto custaria a nova

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Gasto total

Despesa primária, bruta e ajustada

A despesa primária do governo central em % do PIB, na versão bruta e sem os gastos extraordinários de cada período: pandemia (2020 e 2021), PEC Kamikaze (2022, aprovada durante a alta dos combustíveis), precatórios atrasados pagos em 2023, enchentes do RS (2024) e tarifaço dos EUA (2025).

Despesa primária total do governo central (Tesouro, série de jul/2026). Detalhe e método em gastos-anuais.csv e medias-por-governo.csv.

AnoGoverno% do PIB (bruta)Sem créditos extraordinários
2018Temer19,3119,23
2019Bolsonaro19,5219,47
2020Bolsonaro25,5918,92 (sem pandemia)
2021Bolsonaro17,9116,61
2022Bolsonaro17,9517,49
2023Lula 319,4619,44 (18,59 sem os precatórios atrasados)
2024Lula 318,7218,50
2025Lula 318,8018,75

Médias por governo:

Métrica (% do PIB)Bolsonaro 2019-2022Bolsonaro 2019 e 2022Lula 3 2023-2025
Bruta20,2418,7318,99
Sem pandemia18,2518,7318,99
Sem nenhum crédito extraordinário18,1218,4818,90
Idem, sem os precatórios de 202318,1218,4818,61

O que pesa em cada ajuste:

  • Pandemia: tira 6,7 pontos do PIB de 2020 e 1,3 de 2021. É o único ajuste grande.
  • PEC Kamikaze (EC 123/2022): R$ 41,25 bi fora do teto a três meses da eleição de 2022 (Auxílio Brasil de R$ 600, vale-gás, auxílio a caminhoneiros e taxistas). A linha de créditos extraordinários de 2022 soma 0,47% do PIB.
  • Precatórios de 2023: R$ 92,4 bi atrasados pelas ECs 113 e 114 de 2021 e pagos em dez/2023 (0,84% do PIB).
  • Enchentes do RS (2024): R$ 21,5 bi (0,18% do PIB).
  • Tarifaço dos EUA (2025): até R$ 4,5 bi em fundos garantidores (0,035% do PIB). As linhas de crédito de R$ 30 bi ficam fora da despesa primária.
  • Crescimento do PIB nominal: a inflação alta de 2021 e 2022 inflou o PIB e reduziu as razões desses anos.
  • Em 2026, de jan a jul, a despesa total está 6,2% acima do mesmo período de 2025, já descontada a inflação.

Despesa em ano eleitoral:

  • Flávio no debate da Band (18/10/2026): Lula "está gastando mais de 350 bilhões para tentar se reeleger". O número vem do "Gastômetro" do Estadão (R$ 354 bi), que soma gastos, subsídios, linhas de crédito e renúncias. A IFI calcula R$ 298,4 bi, dos quais R$ 93,8 bi têm impacto primário e R$ 185,7 bi são crédito subsidiado a ser devolvido.
  • Precedente de 2022: a PEC Kamikaze (R$ 41,25 bi) também foi aprovada em ano eleitoral.

Despesa primária do governo central, % do PIB

A pandemia explica o pico de 2020. Sem créditos extraordinários (pandemia, PEC Kamikaze, enchentes do RS, tarifaço), 2023 a 2025 ficam entre 18,5% e 19,4% do PIB, acima de 2021 e 2022.

Fonte: Tesouro Nacional, RTN série de jul/2026; cálculo do VAR · gastos-anuais.csv

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BrutaSem pandemiaSem créditos extraordinários
201819,3119,3119,23
201919,5219,5219,47
202025,5918,9218,92
202117,9116,6116,61
202217,9517,9517,49
202319,4619,4619,44
202418,7218,7218,5
202518,818,818,75

Médias por governo, despesa primária em % do PIB

Na média bruta, Bolsonaro gastou mais (20,24% contra 18,99%) por causa de 2020. Em todas as versões ajustadas, Lula 3 gasta mais, de 0,3 a 0,8 ponto do PIB.

Fonte: Tesouro Nacional; cálculo do VAR · medias-por-governo.csv

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Bolsonaro 2019-2022Lula 3 2023-2025
Bruta20,2418,99
Sem pandemia18,2518,99
Sem créditos extraordinários18,1218,9
Idem, sem precatórios de 202318,1218,61

Vereditos desta seção

bolsonaristas e petistas, em sentidos opostos
"Mesmo com menos ministérios, Bolsonaro gastou mais que Lula"
CONFIRMADO COM RESSALVA

Vale só para a média bruta, por causa de 2020 e 2021. Sem pandemia, Lula 3 gasta de 0,3 a 0,8 ponto do PIB a mais

Plano de Flávio, p. 8
"Mesmo arrecadando como nunca, o governo atual gasta ainda mais"
CONFIRMADO COM RESSALVA

A despesa real cresceu 3,4% em 2025 e 6,2% em jan-jul/2026; em % do PIB, a despesa de 2024-2025 (18,7 a 18,8) ficou abaixo de 2019 (19,5)

Flávio, 18/10
Lula está "gastando mais de 350 bilhões para tentar se reeleger"
ENGANOSO

A maior parte é crédito a ser devolvido; o impacto primário calculado pela IFI é R$ 93,8 bi

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Máquina pública

Custeio, folha e cargos

Máquina pública é o custo de funcionamento do governo: custeio administrativo, folha de pessoal e cargos de confiança. Cada métrica aparece em % do PIB e em reais corrigidos, porque as duas leituras apontam em direções diferentes.

MétricaBolsonaro 2019-2022Lula 3 2023-2025Leitura
Custeio administrativo, % do PIB0,560,53menor com Lula 3 em % do PIB
Custeio administrativo, média real (R$ jul/2026)R$ 63,6 biR$ 68,1 bimaior com Lula 3 em reais
Custeio administrativo, ano a ano (% do PIB)0,63 (2019); 0,59; 0,51; 0,51 (2022)0,52; 0,52; 0,535 (2025)Bolsonaro reduziu; Lula 3 manteve perto do nível de 2022
Pessoal e encargos, três Poderes, ativos e inativos, % do PIB3,873,20menor com Lula 3
Pessoal ativo do Executivo, % do PIB1,721,42menor com Lula 3
Pessoal ativo do Executivo, média realR$ 195,5 biR$ 183,9 bimenor com Lula 3
Discricionárias totais, % do PIB1,641,62praticamente igual

Contexto:

  • A queda da folha em % do PIB veio sobretudo de 2020-2022: congelamento salarial da LC 173/2020, inflação alta e saída de servidores sem reposição. Lula 3 deu reajuste linear de 9% em 2023 e novos reajustes a partir de 2025, e a folha voltou a crescer em reais (R$ 190,9 bi nos 12 meses até ago/2026, contra R$ 173,3 bi um ano antes).
  • O plano de Flávio promete reduzir cargos comissionados e despesas administrativas e combater "penduricalhos e supersalários" (p. 69). Os supersalários acima do teto somaram cerca de R$ 20 bi de ago/2024 a jul/2025, a maior parte na magistratura (R$ 11,5 bi) e no Ministério Público (R$ 3,2 bi), boa parte fora do Executivo federal (Movimento Pessoas à Frente e República.org, nov/2025).

Custeio administrativo e pessoal ativo do Executivo, % do PIB

As duas métricas caíram em % do PIB de 2019 a 2022 e ficaram perto do nível de 2022 com Lula 3. Em reais corrigidos, o custeio é maior com Lula 3 (R$ 68,1 bi contra R$ 63,6 bi por ano).

Fonte: Tesouro Nacional; RGF · gastos-anuais.csv

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Pessoal ativo do ExecutivoCusteio administrativo
20181,950,66
20191,890,63
20201,880,59
20211,640,51
20221,490,52
20231,480,52
20241,350,52
20251,420,54

Vereditos desta seção

oposição
A máquina "inchou" com Lula 3
CONFIRMADO COM RESSALVA

Mais pastas, mais cargos e funções e custeio administrativo maior em reais; folha e custeio menores em % do PIB e servidores estáveis

Plano de Flávio
O governo Bolsonaro enxugou a máquina
CONFIRMADO COM RESSALVA

Custeio caiu de 0,63% para 0,51% do PIB e houve cerca de 66 mil servidores a menos; parte veio do congelamento da pandemia e da inflação

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Investimento e emendas

Obras, inversões financeiras e emendas parlamentares

O investimento federal inclui obras e inversões financeiras. As emendas parlamentares são a parte do orçamento indicada por deputados e senadores, e o peso delas cresceu nos dois governos.

Investimento federal (Tesouro e IFI)

AnoGovernoR$ bi% do PIB
2018Temer53,10,76
2019Bolsonaro56,60,77
2020Bolsonaro104,91,38 (inflado por inversões da pandemia)
2021Bolsonaro56,80,63
2022Bolsonaro45,10,45 (menor nível recente)
2023Lula 381,40,74
2024Lula 386,10,73
2025Lula 384,3 (preços de dez/2025)0,66
2026Lula 3orçamento0,76
  • A IFI mostra que parte do investimento de Lula 3 é inversão financeira (empréstimos e aportes): 27,6% em 2023, 30,1% em 2024 e 16,1% em 2025.
  • O arcabouço fiscal (LC 200/2023) fixa piso de investimento de 0,6% do PIB.
  • O plano de Flávio promete R$ 900 bi em quatro anos em infraestrutura e dobrar o investimento federal em segurança. O plano não separa quanto viria do orçamento e quanto de concessões.

Investimento federal, % do PIB

O pico de 2020 inclui inversões financeiras da pandemia, e 2022 marca o menor nível recente. Com Lula 3, de 16% a 30% do valor anual é inversão financeira. O valor de 2026 é o do orçamento.

Fonte: Tesouro Nacional (RTN, memorando de investimento); IFI · investimento-federal.csv

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% do PIB
20180,76
20190,77
20201,38
20210,63
20220,45
20230,74
20240,73
20250,66
20260,76

Emendas parlamentares

AnoPago no ano (R$ bi)Pago com restos a pagarAutorizadoObservação
20185,19,811,8
202016,121,536,1início do RP9
2021RP9: R$ 18,5 bi alocados, R$ 6,3 bi pagos no ano (TCU)
202217,028,025,8STF declarou o RP9 inconstitucional em 19/12/2022
202321,934,435,8
202431,340,047,8
202531,547,1 empenhadoRP6 19,9; RP7 6,3; RP8 5,3
202649,9 (LOA)individuais 26,6; bancada 11,2; comissão 12,1

Fontes: Siga Brasil via Estadão Verifica (04/07/2025); Siop via Diario de Pernambuco (02/01/2026); TCU; LOA 2026.

  • Orçamento secreto (RP9, 2020-2022): emendas de relator distribuídas por ofícios sem registro público. R$ 53,5 bi autorizados e R$ 28,9 bi pagos em três anos (Siga Brasil via imprensa).
  • Depois do RP9 (Lula 3): parte do valor migrou para emendas de comissão (RP8) e para as transferências especiais ("emendas Pix"). Em 2025 e 2026 o STF (ministro Flávio Dino) mandou a PF investigar emendas Pix, e o TCU encontrou falhas em 82 de 100 transferências auditadas.
  • O peso das emendas cresceu nos dois governos: de 3,95% das discricionárias em 2014 para 28,78% em 2020 (FGV IBRE). O IPEA calcula alta real de 315% de 2014 a 2025.
  • O plano de Flávio promete "mais transparência, controle e rastreabilidade às emendas parlamentares" (p. 69) e não fala em reduzir o valor.

Emendas parlamentares pagas e autorizadas (R$ bi)

Valores correntes. 2021 aparece vazio porque a série consolidada daquele ano não foi obtida; o TCU registra R$ 6,3 bi pagos só no RP9. 2025 mostra o empenhado e 2026 o autorizado na LOA.

Fonte: Siga Brasil via Estadão Verifica; Siop via Diario de Pernambuco; TCU; LOA 2026 · emendas-pagas.csv

Ver os dados em tabela
Pago no anoPago com restos a pagarAutorizado ou empenhado
20185,19,811,8
2019sem dado9,98sem dado
202016,121,536,1
2021sem dado25,1sem dado
2022172825,8
202321,934,435,8
202431,34047,8
202531,54sem dado47,1
2026sem dadosem dado49,9
Cartão corporativo

CPGF no governo inteiro e na Presidência

O cartão de pagamento do governo federal (CPGF) em média mensal corrigida pelo IPCA, para comparar mandatos de durações diferentes.

Dados do Portal da Transparência (CPGF, jan/2019 a ago/2026) e da planilha da Presidência de 2003-2022. Valores corrigidos pelo IPCA até set/2026. Detalhe em cartao-corporativo.csv.

RecorteBolsonaro (48 meses)Lula 3 (44 meses)Diferença
Governo federal inteiro, média mensalR$ 7,06 miR$ 9,77 mi+38% com Lula 3
Parcela sigilosa no governo inteiro52,8%45,3%menor com Lula 3
Presidência inteira (órgão 20000), média mensalR$ 2,30 miR$ 2,10 mi-9% com Lula 3
Núcleo presidencial (Secretaria de Administração), média mensalR$ 1,14 mi (planilha) ou R$ 1,16 mi (Portal)R$ 1,34 mi+16% a +18% com Lula 3
Parcela sigilosa na Presidência98,9%98,6%quase tudo sigiloso nos dois
Abin, média mensalR$ 0,83 miR$ 0,41 mimenor com Lula 3
GSI, média mensalR$ 0,18 miR$ 0,29 mimaior com Lula 3

Série do núcleo presidencial (média mensal real):

PresidenteR$ mi por mês
Lula 1 e 2 (2003-2010)1,35
Dilma (2011 a mai/2016)0,99
Temer (mai/2016 a 2018)0,61
Bolsonaro (2019-2022)1,14
Lula 3 (2023 a ago/2026)1,34
  • Os gastos de Bolsonaro foram abertos em jan/2023 por pedido de LAI e decisão do TCU, com fornecedor e data (hotéis, lanchonetes, gastos em datas de motociatas). Os de Lula 3 seguem sigilosos no Portal; a Casa Civil publica só totais por subelemento, que cobrem R$ 31,3 mi de R$ 54,4 mi.
  • O TCU (jul/2025) apontou que 99,55% dos R$ 55,5 mi da Presidência de jan/2023 a abr/2025 eram sigilosos.
  • O cartão corporativo é pequeno no orçamento: R$ 122 mi em 2025 no governo inteiro, 0,005% da despesa primária.

Cartão corporativo, média mensal corrigida pelo IPCA (R$ mi por mês)

Lula 3 gasta mais no governo inteiro (+38%), no núcleo presidencial (+16%) e no GSI. Bolsonaro gastou mais na Presidência como um todo (-9% com Lula 3), na Abin e na Vice-Presidência.

Fonte: Portal da Transparência (CPGF, jan/2019 a ago/2026); Casa Civil; IPCA até set/2026 · cartao-corporativo.csv

Ver os dados em tabela
Bolsonaro (48 meses)Lula 3 (44 meses)
Governo federal inteiro7,069,77
Presidência (órgão 20000)2,32,1
Núcleo presidencial1,161,34
Abin0,830,41
GSI0,180,29
Vice-Presidência0,110,0300

Núcleo presidencial, média mensal corrigida (R$ mi por mês)

Série da Secretaria de Administração da Presidência desde 2003. Lula 3 (R$ 1,34 mi) fica no nível de Lula 1 e 2 (R$ 1,35 mi), acima de Bolsonaro (R$ 1,14 mi).

Fonte: Casa Civil (planilha 2003-2022); Portal da Transparência; IPCA até set/2026 · cartao-nucleo-presidencial-historico.csv

Ver os dados em tabela
R$ mi por mês
Lula 1 e 21,35
Dilma0,99
Temer0,61
Bolsonaro1,14
Lula 31,34

Vereditos desta seção

oposição
Lula gasta mais no cartão corporativo que Bolsonaro
CONFIRMADO

Governo inteiro +38% por mês em termos reais; núcleo presidencial +16%

Flávio, 18/10
Lula gastou R$ 7 bilhões "com a Janja"
FALSO

R$ 7 bi são todas as viagens a serviço de todos os órgãos federais em 2023-2025; as ligadas à Presidência somaram R$ 150,5 mi (Aos Fatos, 05/10/2026)

oposição
O cartão de Lula é menos transparente
CONFIRMADO COM RESSALVA

Os dois governos têm cerca de 99% sigiloso na Presidência durante o mandato; Bolsonaro foi aberto depois, por LAI e TCU

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Juros e dívida pública

A conta dos juros, a Selic e as LFT

Os juros são a maior despesa fora do resultado primário, e por isso ficam fora de qualquer corte de gastos primários. A seção mostra o tamanho da conta, o mecanismo que liga a dívida à Selic desde os anos 1980 e o debate entre economistas sobre esse arranjo.

O peso dos juros

Juros nominais do setor público consolidado (União, estados, municípios, estatais e Banco Central), por competência:

AnoJuros (R$ bi)Juros (% do PIB)Primário (% do PIB)Nominal (% do PIB)Selic meta em dezSelic média do ano
2015501,88,37-1,86-10,2214,2513,47
2016407,06,49-2,48-8,9813,7514,18
2017400,86,09-1,68-7,777,0010,15
2018379,25,41-1,55-6,966,506,58
2019367,34,97-0,84-5,814,506,04
2020312,44,11-9,24-13,342,002,89
2021448,44,98+0,72-4,269,254,54
2022586,45,82+1,25-4,5713,7512,55
2023718,36,56-2,28-8,8411,7513,30
2024950,48,07-0,40-8,4712,2510,94
20251.007,67,91-0,43-8,3415,0014,42
12 meses até ago/20261.182,28,86-0,62-9,4813,75 (21/10/2026)14,46

Fontes: BCB, Estatísticas Fiscais (séries espelhadas no Ipeadata, conferidas com as notas de 30/01/2026 e 30/09/2026); histórico do Copom. Os valores de primário desta tabela são do setor público consolidado e diferem dos do governo central (ver Contexto fiscal).

  • O déficit nominal brasileiro (8,3% do PIB em 2025) vem quase todo dos juros. O primário ficou perto de zero.
  • Em 2025 os juros caíram em % do PIB mesmo com a Selic mais alta porque os swaps cambiais deram ganho de R$ 105,9 bi (em 2024, perda de R$ 115,9 bi).
  • Na comparação internacional do FMI (ver Comparação internacional), o Brasil tem os maiores juros brutos da amostra: 8,3% do PIB em 2024, contra 4,0% nos EUA, 1,9% na zona do euro, 1,0% na China e 6,5% no México.

Juros de 2025 ao lado de grandes despesas do governo central:

Item, 2025R$ bi% do PIB
Juros nominais do setor público consolidado1.007,67,91
Juros nominais do governo federal e do BC891,97,00
Benefícios do INSS (RGPS)1.026,98,06
Saúde (sem pessoal)228,61,79
Bolsa Família158,11,24
Educação (sem pessoal, com Fundeb)101,00,79

Fonte: Tesouro, RTN de dez/2025; BCB.

  • Os juros por competência incluem a correção monetária e o resultado dos swaps; o pagamento em caixa é outra conta. A comparação correta é de tamanho: os juros de 2025 ficaram do porte dos benefícios do INSS.
  • O plano de Flávio diz que a queda da dívida "puxa os juros para a média internacional" (p. 71) e Flávio estimou R$ 220 bi de espaço com a queda de 2 pontos nos juros futuros (13/10/2026). Esse cálculo depende da Selic, que é decidida pelo Copom com mandato de inflação.

Juros nominais do setor público consolidado, % do PIB

Juros por competência, com correção monetária e resultado dos swaps cambiais. Em 2025 foram R$ 1.007,6 bi, 7,91% do PIB.

Fonte: BCB, Estatísticas Fiscais (séries no Ipeadata, conferidas com as notas de 30/01/2026 e 30/09/2026) · juros-anuais.csv

Ver os dados em tabela
Juros nominais
20158,37
20166,49
20176,09
20185,41
20194,97
20204,11
20214,98
20225,82
20236,56
20248,07
20257,91
12m até ago/20268,86

Selic média do ano, % ao ano

A Selic média e o peso dos juros andam juntos, com defasagem e com o efeito dos swaps cambiais. A Selic de 15% (jun/2025) foi a maior desde 2006.

Fonte: BCB, histórico das taxas do Copom · juros-anuais.csv

Ver os dados em tabela
Selic média
201513,47
201614,18
201710,15
20186,58
20196,04
20202,89
20214,54
202212,55
202313,3
202410,94
202514,42
12m até ago/202614,46

Juros de 2025 ao lado de grandes despesas (R$ bi)

Os juros de 2025 ficaram do porte dos benefícios do INSS. Saúde e educação aparecem sem a folha de pessoal.

Fonte: BCB, nota de 30/01/2026; Tesouro, RTN dez/2025 · juros-vs-despesas-2025.csv

Ver os dados em tabela
ItemR$ bi em 2025
Juros nominais do setor público consolidado1.008
Juros nominais do governo federal e do BC891,9
Benefícios do RGPS1.027
Saúde (sem pessoal)228,6
Bolsa Família158,1
Educação (sem pessoal, com Fundeb)101

O mecanismo: Selic, LFT e zeragem automática

Linha do tempo:

  • 1979, sistema Selic: o Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, criado pelo BC e pela Andima para registrar e liquidar títulos públicos em meio eletrônico, entrou em operação de custódia em 22/10/1979 e de liquidação em 14/11/1979 (ANBIMA, 07/11/2019).
  • 1986, LBC: as Letras do Banco Central, com rendimento ligado à taxa média das operações de um dia no sistema Selic (ANBIMA; Resolução CMN de 15/05/1986, a conferir no portal de normativos do BC).
  • 1987, LFT: o Decreto-Lei 2.376, de 25/11/1987, criou as Letras Financeiras do Tesouro, com rendimento "definido pela taxa média ajustada dos financiamentos apurados em sistema centralizado de liquidação e custódia". Essa média é a taxa Selic.
  • Zeragem automática (anos 1980 até mai/1990): o BC garantia diariamente às instituições que carregavam títulos federais os recursos necessários "a taxas praticamente idênticas à média do dia". Com isso, a "moeda indexada" podia ser convertida em dinheiro a qualquer momento, e o sistema financiou o Estado durante a inflação alta. A prática foi suspensa em maio de 1990 (Carlos Eduardo Carvalho, Revista de Economia Política, 1993).
  • 1999: o Copom passa a fixar uma meta para a Selic (reunião nº 33, 04/03/1999), dentro do regime de metas de inflação. O Plano Real herdou as LFT e o mercado de um dia.
  • Operações compromissadas: o BC vende títulos com compromisso de recompra para retirar dinheiro do mercado. Somavam R$ 1.372,1 bi em ago/2026 (10,3% do PIB) e entram na dívida bruta. A IFI (2017) concluiu que o aumento delas "não foi inevitável, mas resultou de decisões tomadas em cada esfera de atuação".
  • 2021, depósitos voluntários remunerados: a Lei 14.185/2021 autorizou o BC a "acolher depósitos voluntários à vista ou a prazo das instituições financeiras", alternativa às compromissadas. Somavam R$ 228,7 bi em ago/2026, fora da dívida bruta.

Como funciona hoje:

  • Uma LFT paga a Selic do dia. Quando o Copom sobe a Selic, o custo dessa parte da dívida sobe no mesmo dia, sem esperar o vencimento.
  • Parcela da dívida pública federal por indexador:
Dez dePrefixadoÍndice de preçosSelic (flutuante)Câmbio
201539,432,522,85,3
201833,027,535,54,0
202227,030,338,34,5
202326,529,839,74,1
202422,027,046,34,8
202522,125,948,33,8
ago/202620,323,252,73,7

Fonte: Tesouro, Relatório Mensal da Dívida (ago/2026: R$ 4,90 tri flutuantes de R$ 9,29 tri). 2015 é estimativa a partir do estoque por título. Série completa em divida-composicao.csv.

  • A parcela ligada à Selic de ago/2026 é a maior da série. Em 26/08/2026 o Tesouro elevou a faixa do Plano Anual de Financiamento para títulos flutuantes de 46%-50% para 49%-53%, citando que "a demanda tem se concentrado em títulos indexados à taxa Selic".
  • Sensibilidade (BCB, nota de 30/09/2026): 1 ponto a mais na Selic por 12 meses eleva a dívida bruta em R$ 65,8 bi (0,49 ponto do PIB) e a dívida líquida em R$ 71,5 bi. Em jan/2026 eram R$ 57,3 bi e R$ 62,9 bi; a alta acompanha a maior parcela flutuante.

Quem detém a dívida mobiliária federal interna (% do estoque):

Grupodez/2022ago/2026
Instituições financeiras29,131,2
Fundos de investimento24,022,5
Previdência22,822,6
Não residentes9,49,9
Seguradoras4,03,3
Governo4,32,6
Tesouro Direto e outros6,47,8

Fonte: Tesouro, RMD dez/2022 e ago/2026. Em ago/2026, 65,8% da carteira das instituições financeiras e 78,4% da dos fundos eram títulos flutuantes; 70,4% da dos não residentes eram prefixados.

Dívida pública federal por indexador, % do total

A parcela ligada à Selic passou de 22,8% em dez/2015 para 52,7% em ago/2026, a maior da série. Essa parte da dívida muda de custo no mesmo dia em que o Copom muda a Selic.

Fonte: Tesouro Nacional, Relatório Mensal da Dívida (2015 estimado a partir do estoque por título) · divida-composicao.csv

Ver os dados em tabela
Selic (flutuante)PrefixadoÍndice de preçosCâmbio
dez/201522,7839,4332,515,27
dez/201628,2435,7331,694,34
dez/201731,535,3429,63,6
dez/201835,5133,0227,464
dez/201938,9230,9726,044,07
dez/202034,8134,7825,35,11
dez/202136,8328,929,34,96
dez/202238,2527,0130,264,48
dez/202339,726,529,84,1
dez/202446,322274,8
dez/202548,2522,0525,933,76
ago/202652,7420,3123,223,74

O debate

Críticos do arranjo (posições atribuídas):

  • André Lara Resende (um dos autores do Plano Real): "No Brasil, a inflação é muito pouco sensível à taxa de juros" (Valor, 27/01/2017). Em 2022 defendeu que "A taxa de juro é determinada pelo banco central. Deve ser fixada abaixo da taxa de crescimento da economia" (CEBRI). É uma tese heterodoxa, contestada por economistas como Samuel Pessôa.
  • Arida, Bacha e Lara Resende (2003 e 2005): a incerteza jurídica contra credores e poupadores impede o crédito de longo prazo em reais e ajuda a explicar os juros altos.
  • Modenesi e Modenesi (Revista de Economia Política, 2012): a indexação é "herança do período de alta inflação"; "O fim da indexação dos ativos financeiros, a começar pelas LFT, também é imprescindível."
  • Ipea (BAPI nº 16, 2018): a permanência das LFT "pode ser compreendida como um caso de inércia institucional", apesar do "seu alto custo fiscal".
  • O argumento da "cultura rentista" diz que aplicações atreladas ao CDI e à Selic, com liquidez diária e risco baixo, concorrem com o investimento produtivo de longo prazo. É uma tese de economistas heterodoxos e de parte dos desenvolvimentistas; a corrente majoritária responde que o juro alto reflete risco fiscal, inflação e baixa poupança, e não a existência da LFT.

Defesas e contrapontos:

  • Tesouro (PAF, ago/2026): há "maior preferência dos investidores por instrumentos de menor duração e menor sensibilidade às oscilações das taxas de juros". Em momentos de estresse, a LFT é o título que o mercado aceita comprar, o que reduz o risco de o Tesouro não conseguir rolar a dívida.
  • Tesouro, Texto para Discussão nº 23 (2016): retirar as LFT do estoque não torna significativo o efeito riqueza, ou seja, as LFT sozinhas não explicam a perda de potência da política monetária.
  • Banco Central: o mandato legal é a estabilidade de preços (LC 179/2021). A Selic é calibrada para a meta de inflação, e não para o custo da dívida.
  • Dominância fiscal: os dois lados usam o conceito. Para uns, a dívida indexada à Selic reduz o efeito dos juros sobre a inflação; para outros, a dúvida sobre a trajetória da dívida é o que obriga o BC a manter juros altos.
  • Diferencial com os EUA: juros reais altos atraem capital e seguram o câmbio, o que ajuda a controlar a inflação de importados; o custo é a conta de juros e o câmbio mais apreciado para a indústria.

Leitura do VAR: o arranjo é herança documentada do período de inflação alta, com custo fiscal mensurável. Se ele é a causa dos juros altos ou um reflexo deles é uma questão em debate entre economistas, com autores identificados nos dois lados.

Vereditos desta seção

Plano de Flávio, p. 29
"O Brasil tem hoje a maior taxa de juro real do mundo"
CONFIRMADO COM RESSALVA

O ranking MoneYou/Lev Intelligence pôs o Brasil em 1º em jun e set/2026, alternando com a Rússia entre 1º e 2º conforme a Selic (Poder360, 17/06 e 16/09/2026)

Plano de Flávio, p. 29 e 70
"A maior taxa de juros em 19 anos"
CONFIRMADO

A Selic de 15% (jun/2025 a 2026) foi a maior desde meados de 2006 (histórico do Copom)

texto em circulação
A Selic "acumulou mais de 115.000% em 12 meses no fim de 1989"
FALSO

A Over/Selic acumulou 2.407% em 1989; o maior acumulado de 12 meses da série é 6.288% (até jun/1994). 115.000% só aparece ao anualizar uma taxa mensal de 1990

texto em circulação
"Cerca de 40% da dívida é LFT"
CONFIRMADO COM RESSALVA

Era cerca de 40% em dez/2023; em ago/2026 a parcela ligada à Selic é 52,7% da dívida pública federal

críticos do arranjo
Os juros custam ao país mais que a saúde e a educação juntas
CONFIRMADO

R$ 1.007,6 bi de juros em 2025, contra R$ 228,6 bi de saúde e R$ 101,0 bi de educação no governo central (sem pessoal)

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Comparação internacional

O Brasil ao lado de outros países e blocos

Comparação no conceito de governo geral do FMI, que soma União, estados e municípios. Esse conceito difere das séries do Tesouro (governo central) usadas no resto da página.

PaísDespesa (% do PIB)ReceitaDívida brutaJuros brutos
Brasil45,739,487,08,3
Estados Unidos37,629,8122,34,0
Zona do euro49,246,286,31,9
Alemanha49,046,261,41,1
França57,051,2112,62,1
Reino Unido43,437,499,42,8
Japão37,235,5213,61,5
China (padrão FMI)33,025,790,51,0
China (ampliada, FMI Artigo IV)38,725,6117,0
Argentina31,031,584,61,7
México30,724,959,06,5
Chile26,824,041,81,2
Colômbia34,428,361,04,4
Índia29,321,484,85,1
África do Sul33,027,376,05,3
Rússia36,735,114,81,2
Coreia do Sul34,632,049,61,0
Suécia49,247,733,90,7

Fontes: FMI (Fiscal Monitor e WEO de out/2026; Public Finances in Modern History, para juros), Eurostat, FMI Relatório 26/44 (China). Mais países e 2025 em internacional.csv.

  • O Brasil gasta 45,7% do PIB no governo geral (União, estados e municípios), acima dos emergentes e latino-americanos (México 30,7, Chile 26,8, Colômbia 34,4) e dos EUA (37,6), e abaixo da zona do euro (49,2) e da França (57,0).
  • Os juros são o ponto fora da curva: 8,3% do PIB, o maior da amostra. O Japão, com dívida de 214% do PIB, paga 1,5%.
  • O resultado primário do governo geral brasileiro em 2024 (-0,3% do PIB, FMI) foi melhor que o dos EUA (-4,6), França (-3,9) e China (-6,3). O déficit nominal (-6,3%) vem quase todo dos juros.
  • A carga tributária brasileira (33,7% do PIB, OCDE; 32,2% pelo Tesouro) fica perto da média da OCDE (34,1%) e bem acima da América Latina.
  • Ressalvas: os números do FMI são de governo geral e diferem das séries do Tesouro (governo central) e do BCB (setor público consolidado). A China "ampliada" inclui gastos de veículos de financiamento de governos locais (LGFVs), conceito que as autoridades chinesas contestam.

Despesa do governo geral, % do PIB, 2024

O Brasil (45,7%) gasta acima dos EUA e dos latino-americanos e abaixo da zona do euro, da Suécia e da França.

Fonte: FMI (Fiscal Monitor e WEO out/2026; Public Finances in Modern History); Eurostat; FMI CR 26/44 · internacional.csv

Ver os dados em tabela
Item% do PIB
França57
Zona do euro49,2
Suécia49,2
Alemanha49
União Europeia48,9
Dinamarca46,5
Brasil45,7
Reino Unido43,4
China (ampliada, FMI)38,7
Estados Unidos37,6
Japão37,2
Rússia36,7
Coreia do Sul34,6
Colômbia34,4
China33
África do Sul33
Argentina31
México30,7
Índia29,3
Chile26,8

Juros brutos do governo geral, % do PIB, 2024

Os juros brasileiros (8,3% do PIB) são os maiores da amostra. O Japão, com dívida de 214% do PIB, paga 1,5%.

Fonte: FMI (Fiscal Monitor e WEO out/2026; Public Finances in Modern History); Eurostat; FMI CR 26/44 · internacional.csv

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Item% do PIB
Brasil8,3
México6,5
África do Sul5,3
Índia5,1
Colômbia4,4
Estados Unidos4
Reino Unido2,8
França2,1
Zona do euro1,9
União Europeia1,9
Argentina1,7
Japão1,5
Chile1,2
Rússia1,2
Alemanha1,1
China1
Coreia do Sul1
Dinamarca0,8
Suécia0,7
Consenso de Washington, modelo chinês e Milei

Receitas de ajuste e seus resultados

O receituário de reformas resumido em 1989, os países que o aplicaram, as alternativas da China, do Leste Asiático e da Suécia, e o ajuste de Milei na Argentina, citado como inspiração pela coordenação econômica de Flávio.

O que é

O Consenso de Washington é a lista de 10 reformas que o economista John Williamson resumiu em 1989 como o receituário de Washington (FMI, Banco Mundial e Tesouro dos EUA) para a América Latina ("What Washington Means by Policy Reform", PIIE, 1990):

  1. disciplina fiscal;
  2. prioridade do gasto em educação e saúde, no lugar de subsídios;
  3. reforma tributária com base ampla e alíquotas moderadas;
  4. juros definidos pelo mercado;
  5. câmbio competitivo;
  6. abertura comercial;
  7. abertura ao investimento estrangeiro direto;
  8. privatização;
  9. desregulação;
  10. direitos de propriedade.

A abertura plena da conta de capital (fluxos financeiros de curto prazo) ficou fora da lista original e entrou depois na prática do FMI nos anos 1990.

Onde foi aplicado

  • Chile (pioneiro, anos 1970 e 1980), Argentina (convertibilidade de 1991 e privatizações de Menem), México (privatizações e Nafta), Peru (choque de Fujimori, 1990).
  • Brasil, de forma parcial: abertura comercial, Plano Real (1994), privatizações (Vale 1997, Telebras 1998), Lei de Responsabilidade Fiscal (2000).
  • Leste Europeu, "terapia de choque": Polônia (1990) e Rússia (1992).

Resultados

Crescimento do PIB per capita, média anual (Banco Mundial):

PeríodoAmérica LatinaChinaLeste Asiático e Pacífico
1961-19803,13%3,52%4,13%
1981-1990-0,62%7,77%3,79%
1991-20001,56%9,35%3,10%
2001-20101,84%9,94%4,50%
2011-20190,53%6,73%4,16%

PIB per capita em US$ de 2015 (Banco Mundial):

AnoPolôniaRússia
19905.1117.850
19986.6844.516
202418.00111.093

Evidência a favor das reformas:

  • A estabilização de preços funcionou em casos como o Plano Real e a Polônia.
  • Grier e Grier (Journal of Comparative Economics, 2021), com 141 países e 49 episódios de reforma ampla: renda per capita maior em 5 e 10 anos; para os autores, o reform "baby was prematurely thrown out with the neoliberal bathwater".
  • Easterly (NBER, 2019): a melhora de indicadores de política desde os anos 1990 coincide com crescimento melhor na África e na América Latina, sem afirmar causalidade.
  • O próprio FMI crítico de 2016 reconhece: "The expansion of global trade has rescued millions from abject poverty."

Evidência contra ou ressalvas:

  • Rodrik (Journal of Economic Literature, 2006): "The 1990s as a whole saw less growth in Latin America in per capita GDP than in 1950-80"; "Proponents and critics alike agree that the policies spawned by the Washington Consensus have not produced the desired results."
  • Crises: México 1995 (-5,9% do PIB), Rússia 1998 (-5,3%), Argentina 2002 (-10,9%). O escritório de avaliação do FMI concluiu sobre a Argentina: "The IMF erred by supporting inadequate policies too long" (2004).
  • Ostry, Loungani e Furceri ("Neoliberalism: Oversold?", FMI, 2016): cerca de 20% das ondas de entrada de capital acabam em crise; uma consolidação fiscal de 1% do PIB eleva o desemprego de longo prazo em 0,6 ponto; "Instead of delivering growth, some neoliberal policies have increased inequality".
  • Stiglitz (1998 e 2002) propôs um "pós-Consenso de Washington", com mercados financeiros bem regulados e o Estado como complemento do mercado.

Crescimento do PIB per capita, média anual por período (%)

A América Latina cresceu menos por pessoa nos anos 1990 e 2000 do que de 1961 a 1980. A China cresceu acima de 6% ao ano em todos os períodos desde 1981.

Fonte: Banco Mundial (NY.GDP.PCAP.KD.ZG), médias simples · consenso-crescimento.csv

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América LatinaChinaLeste Asiático e Pacífico
1961-19803,133,524,13
1981-1990-0,627,773,79
1991-20001,569,353,1
2001-20101,849,944,5
2011-20190,536,734,16

PIB per capita, US$ de 2015

As duas aplicaram terapia de choque no início dos anos 1990. A Polônia passou a Rússia em 1996 e chegou a 2024 com PIB per capita 62% maior.

Fonte: Banco Mundial (NY.GDP.PCAP.KD) · polonia-russia-pib-pc.csv

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PolôniaRússia
19905.1117.850
19966.0134.687
19986.6844.516
201010.8088.755
202418.00111.093

Alternativas

  • China: gradualismo, preços de duas vias, estatais, zonas econômicas especiais, política industrial e controles de capital. PIB acima de 9% ao ano desde 1978 e cerca de 800 milhões de pessoas fora da pobreza extrema (Banco Mundial). Custos: dívida ampliada de 126,6% do PIB em 2025 e déficit ampliado de 14,3% (FMI, fev/2026), crise imobiliária.
  • Leste Asiático (Coreia do Sul, Taiwan): Estados desenvolvimentistas com promoção de exportações e política industrial seletiva. O Banco Mundial ("The East Asian Miracle", 1993) atribuiu o sucesso sobretudo a fundamentos de mercado e reconheceu intervenções; Amsden (1989), Wade (1990) e Chang (2002) dão mais peso ao Estado.
  • Modelo nórdico (Suécia): gasto alto (49% do PIB), economia aberta e regras fiscais fortes adotadas após a crise de 1991-1993 (teto de despesa plurianual, meta de superávit, conselho fiscal). A dívida está em 34% do PIB.

A Argentina de Milei (dados até out/2026)

IndicadorAntesDepois
Resultado financeiro-4,6% do PIB (2023)+0,3% (2024); +0,2% (2025)
Resultado primário-2,9% do PIB (2023)+1,8% (2024); +1,4% (2025)
Despesa do governo geral37,3% do PIB (2023)31,0% (2024)
Inflação em 12 meses211,4% (dez/2023)31,5% (2025); 33,4% (set/2026)
Pobreza (pessoas)52,9% (1º sem 2024, pico)28,2% (2º sem 2025); 32,3% (1º sem 2026)
PIB-1,3% (2024)+4,4% (2025); +1,7% de jan a jul/2026
Desemprego7,6% (2º tri 2025)7,9% (2º tri 2026)
Ministérios189
Emprego público nacionalcerca de -18% desde dez/2023
Aposentadoria mínima com bônus, real-9,2% de nov/2023 a jul/2026
  • Apoio externo: programa de US$ 20 bi do FMI (abr/2025) e swap de US$ 20 bi com o Tesouro dos EUA (out/2025).
  • A desinflação parou em 2026 (33,4% em 12 meses em set/2026, acima dos 31,5% de dez/2025).

Argentina: pessoas abaixo da linha de pobreza (%)

A pobreza subiu para 52,9% no primeiro semestre de 2024, logo após o ajuste, caiu para 28,2% no fim de 2025 e voltou a 32,3% no primeiro semestre de 2026.

Fonte: INDEC, via Forbes Argentina e Chequeado · argentina-milei.csv

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Pobreza
1º sem 202452,9
2º sem 202438,1
1º sem 202531,6
2º sem 202528,2
1º sem 202632,3

Conclusão equilibrada

O que a evidência sustenta de forma ampla:

  • inflação baixa e estabilidade são pré-condições de crescimento e protegem os mais pobres;
  • dívida sustentável evita crises caras (Argentina 2002, Rússia 1998);
  • reformas pró-mercado sustentadas aparecem associadas a renda maior no médio prazo;
  • regras fiscais críveis funcionam quando têm apoio político duradouro (Suécia).

O que segue em debate:

  • a velocidade e a sequência (choque na Polônia e na Rússia, gradualismo na China);
  • a abertura da conta de capital;
  • austeridade em recessão;
  • o papel da política industrial;
  • os custos sociais no curto prazo.

Ligação com o Brasil de 2026:

  • O ponto de partida difere. A Argentina de 2023 tinha inflação de três dígitos e déficit financeiro de 4,6% do PIB. O Brasil de 2026 tem inflação de um dígito, câmbio flutuante, LRF e arcabouço, déficit primário perto de zero e déficit nominal de cerca de 8% do PIB puxado pelos juros.
  • O ajuste argentino caiu sobre aposentadorias, obras e transferências a províncias, itens que no Brasil estão protegidos pela Constituição.
  • Daniella Marques citou Milei como inspiração (14/09/2026). Lula atacou a "motosserra" no debate (18/10/2026). Flávio respondeu com o "tesouraço" e não disse se adotaria o modelo.
Tratoraço e Tesouraço

Dois nomes parecidos, dois assuntos diferentes

Tratoraço é o caso das compras de tratores e máquinas com emendas de relator em 2020 e 2021. Tesouraço é o slogan de corte de gastos da campanha de Flávio em 2026.

Tratoraço (2020-2021)

O que é: compra de tratores e máquinas agrícolas para prefeituras com emendas de relator (RP9), pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) e pela Codevasf, revelada pelo Estadão em mai/2021, com preços até 259% acima da referência. O ministro do MDR era Rogério Marinho, hoje senador (PL-RN) e coordenador-geral da campanha de Flávio.

ItemValor
Sobrepreço apontado pela CGU, totalR$ 142 mi
na licitação nº 22/2020 do MDR (valor global R$ 2,9 bi)R$ 130 mi
em 115 de 188 convênios da amostra (61% com risco alto ou extremo)R$ 12,1 mi
Contratos suspensos ou renegociados pelo MDRR$ 3 bi
Redução obtida na renegociaçãoR$ 113 mi
TCU (cautelar de 05/10/2021): sobrepreço em 8 pregões da CodevasfR$ 11,1 mi de R$ 121,5 mi, até 63%
  • Marinho, 08/06/2021, na Câmara: "Como se pode falar de superfaturamento em uma compra que não foi feita?" Ele pediu apuração à CGU e à PF.
  • Situação em 21/10/2026: achado de controle da CGU e do TCU; contratos suspensos e renegociados. Não foi localizada ação penal contra Marinho.
  • Fontes: CartaCapital/Estadão (14/09/2021); Jornal de Brasília (05/10/2021); Poder360.

Tesouraço (2026)

O que é: slogan e bandeira de campanha de Flávio Bolsonaro, inspirado na "motosserra" de Milei e simbolizado por uma tesoura. Aparece no plano de governo registrado no TSE (lançado em 13/08/2026) e em falas de campanha. Tem quatro usos documentados:

  • Gastos e máquina (plano, p. 68): "Nossa bandeira é um grande TESOURAÇO: um corte profundo e por todos os lados, que enxuga a máquina, coloca as contas em ordem e reduz os impostos que pesam sobre quem produz."
  • Burocracia e impostos (13/10/2026, Associação Comercial de SP): "Vamos fazer tesouraço em impostos, sim." "Vamos fazer tesouraço na burocracia do primeiro dia, já está pronto." O plano também tem um "Tesouraço da Burocracia" e um "Tesouraço na Censura".
  • Corrupção (18/10/2026, debate da Band, em resposta à pergunta de Lula sobre a motosserra de Milei): "O que eu vou fazer, Lula, é tesouraço na corrupção do seu governo. É isso que eu vou fazer." Lula: "E o que é o tesouraço? Vai cair na porta de quem?" Flávio: "Na sua, nos seus privilégios [...] de 7 bilhões que você já gastou com a Janja."
  • Uso pelos adversários: o Brasil de Fato (08/10/2026) e a campanha de Lula chamam de "tesouraço" o pacote de 2% do PIB descrito pela Folha (pisos, aposentadorias e BPC só pela inflação). Flávio chamou essa versão de "fake news" (TV Globo, 16/10/2026).

O Tesouraço é uma proposta política sem valor oficial em reais. Não se trata de um escândalo nem de um programa com orçamento.

Contexto fiscal

Resultado primário, dívida e renúncias

A trajetória do resultado primário do governo central, da dívida bruta e dos gastos tributários, de 2018 a 2026, com os fatores extraordinários de cada ano.

Resultado primário e dívida

AnoGovernoPrimário do governo central (R$ bi)% do PIBDívida bruta em dez (% do PIB)
2018Temer-120,2-1,775,3
2019Bolsonaro-95,1-1,374,4
2020Bolsonaro-743,1-10,086,9
2021Bolsonaro-35,1-0,477,3
2022Bolsonaro+54,1+0,571,7
2023Lula 3-230,5-2,173,8
2024Lula 3-43,0-0,3676,3
2025Lula 3-61,7-0,4878,6
ago/2026Lula 382,9
  • 2022: superávit apoiado em R$ 77,2 bi de dividendos e concessões, na privatização da Eletrobras (R$ 26,8 bi) e em R$ 43,8 bi de precatórios não pagos.
  • 2023: sem os R$ 92,4 bi de precatórios atrasados, o déficit seria de R$ 138,1 bi (1,26% do PIB). O Orçamento de 2023 já previa déficit de R$ 231,55 bi, incluindo a PEC da Transição de Lula.
  • 2024: sem os gastos com o RS, -R$ 11,0 bi.
  • Dívida bruta: série revisada do BCB (tabela especial Divggnp.xlsx), que muda a cada revisão do PIB.

Resultado primário do governo central, % do PIB

Valores negativos são déficit. 2020 inclui a pandemia; 2022 contou com dividendos, concessões e precatórios adiados; 2023 inclui R$ 92,4 bi de precatórios atrasados.

Fonte: Tesouro Nacional, RTN · resultado-primario-e-divida.csv

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Primário
2018-1,7
2019-1,3
2020-10
2021-0,4
20220,5
2023-2,1
2024-0,36
2025-0,48

Dívida bruta do governo geral (DBGG), % do PIB

Com Bolsonaro, de 75,3% para 71,7% do PIB (-3,6 pontos), com pico de 86,9% em 2020. Com Lula 3, de 71,7% para 82,9% em ago/2026 (+11,2 pontos).

Fonte: BCB, tabela especial Divggnp.xlsx (série revisada) · resultado-primario-e-divida.csv

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Dívida bruta
201875,27
201974,44
202086,94
202177,31
202271,68
202373,83
202476,27
202578,64
ago/202682,86

Gastos tributários (renúncias)

AnoR$ bi% do PIB
2019324,44,39
2020328,64,32
2021420,84,67
2022492,54,89
2023534,04,88
2024 (projeção)546,84,64
2025 (projeção)569,24,47
2026 (PLOA)612,84,43

Fonte: Receita Federal, Demonstrativo de Gastos Tributários.

  • O pico em % do PIB foi em 2022 (desonerações de combustíveis e outras medidas). O plano de Flávio cita "mais de R$ 500 bilhões em exceções" na reforma tributária e Daniella Marques fala em cortar "benefícios tributários". O plano também promete reduzir impostos, o que reduz receita.

Gastos tributários da União, % do PIB

Anos com asterisco são projeções. O pico foi em 2022 (4,89% do PIB). Em 2026 a estimativa é R$ 612,8 bi, mais que o triplo das discricionárias do Executivo.

Fonte: Receita Federal, Demonstrativo de Gastos Tributários (Bases Efetivas e PLOA 2026) · gastos-tributarios.csv

Ver os dados em tabela
Gastos tributários
20194,39
20204,32
20214,67
20224,89
20234,88
2024*4,64
2025*4,47
2026*4,43
Vereditos

As 26 afirmações no monitor

Cada card traz a frase, quem a disse, o selo do VAR e o motivo. Os filtros combinam selo e autor.

Selo
Quem disse

"O atual governo tem 39 ministérios" (08/05 e 16/10/2026)
CONFIRMADO COM RESSALVA

São 38 desde o fim do ministério extraordinário do RS; 39 valeu em 2024

WhatsAppX
Cortar 10 ministérios "não gera uma economia na proporção de 200 bilhões"
CONFIRMADO

Cortes de pastas e cargos renderam de R$ 3,5 mi a R$ 240 mi por ano

WhatsAppX
Metrópoles, Jornal de Brasília, Gazeta Brasil (16/10)Ministérios
Manchetes "Flávio promete corte de 10 ministérios e economia de R$ 200 bilhões"
ENGANOSO

A transcrição do Aos Fatos e da CNN mostra que ele disse o contrário; os R$ 200 bi citados vinham de receitas (imóveis e securitização)

WhatsAppX
campanha de 2018Ministérios
Bolsonaro prometeu no máximo 15 ministérios
CONFIRMADO

Tomou posse com 22 e terminou com 23

WhatsAppX
oposiçãoMinistérios
Lula aumentou o número de ministérios e de cargos
CONFIRMADO COM RESSALVA

23 para 37 e depois 38; cargos e funções +9,5% desde dez/2022. O número de servidores ativos ficou estável e a folha caiu em % do PIB (ver Máquina pública)

WhatsAppX
Promessa de "10 a menos" e criação do Ministério da Prosperidade
SEM DADOS

O plano não diz quais pastas sairiam nem quanto custaria a nova

WhatsAppX
bolsonaristas e petistas, em sentidos opostosGasto total
"Mesmo com menos ministérios, Bolsonaro gastou mais que Lula"
CONFIRMADO COM RESSALVA

Vale só para a média bruta, por causa de 2020 e 2021. Sem pandemia, Lula 3 gasta de 0,3 a 0,8 ponto do PIB a mais

WhatsAppX
Plano de Flávio, p. 8Gasto total
"Mesmo arrecadando como nunca, o governo atual gasta ainda mais"
CONFIRMADO COM RESSALVA

A despesa real cresceu 3,4% em 2025 e 6,2% em jan-jul/2026; em % do PIB, a despesa de 2024-2025 (18,7 a 18,8) ficou abaixo de 2019 (19,5)

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Flávio, 18/10Gasto total
Lula está "gastando mais de 350 bilhões para tentar se reeleger"
ENGANOSO

A maior parte é crédito a ser devolvido; o impacto primário calculado pela IFI é R$ 93,8 bi

WhatsAppX
A máquina "inchou" com Lula 3
CONFIRMADO COM RESSALVA

Mais pastas, mais cargos e funções e custeio administrativo maior em reais; folha e custeio menores em % do PIB e servidores estáveis

WhatsAppX
Plano de FlávioMáquina pública
O governo Bolsonaro enxugou a máquina
CONFIRMADO COM RESSALVA

Custeio caiu de 0,63% para 0,51% do PIB e houve cerca de 66 mil servidores a menos; parte veio do congelamento da pandemia e da inflação

WhatsAppX
Lula gasta mais no cartão corporativo que Bolsonaro
CONFIRMADO

Governo inteiro +38% por mês em termos reais; núcleo presidencial +16%

WhatsAppX
Flávio, 18/10Cartão corporativo
Lula gastou R$ 7 bilhões "com a Janja"
FALSO

R$ 7 bi são todas as viagens a serviço de todos os órgãos federais em 2023-2025; as ligadas à Presidência somaram R$ 150,5 mi (Aos Fatos, 05/10/2026)

WhatsAppX
O cartão de Lula é menos transparente
CONFIRMADO COM RESSALVA

Os dois governos têm cerca de 99% sigiloso na Presidência durante o mandato; Bolsonaro foi aberto depois, por LAI e TCU

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Daniella Marques e FlávioPromessas da campanha x números
Corte de 1,5% do PIB (cerca de R$ 190 bi) sem mexer em programas sociais
SEM DADOS

Nenhum documento detalha as medidas. Os itens citados (ministérios, cargos, custeio, supersalários) somam bem menos; o valor exige renúncias tributárias, emendas ou obrigatórias

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R$ 200 bi "por ano" de securitização de dívidas a receber
ENGANOSO

Securitização antecipa receita futura uma vez; a PGFN arrecada cerca de R$ 68 bi por ano em dívida ativa

WhatsAppX
A campanha estuda corrigir pisos, aposentadorias e BPC só pela inflação
CONFIRMADO COM RESSALVA

Reportagens de abr, set e out/2026 relatam o estudo; a campanha nega e o plano registrado não traz a medida

WhatsAppX
Plano de Flávio, p. 8 e 70Promessas da campanha x números
"A dívida pública [...] voltou a crescer de forma acelerada, um salto de cerca de 13 pontos do PIB em apenas quatro anos"
CONFIRMADO COM RESSALVA

A alta medida pelo BCB é de 11,2 pontos (71,7% em dez/2022 para 82,9% em ago/2026); a IFI projeta 82,5% em dez/2026

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Plano de Flávio, p. 70Promessas da campanha x números
"Mesmo diante da maior pandemia em cem anos, reduzimos em 4 pontos percentuais" a dívida
CONFIRMADO COM RESSALVA

Foi de 75,3% para 71,7% (-3,6 pontos). A inflação de 2021 e 2022 inflou o PIB, e o resultado de 2022 contou com dividendos e precatórios adiados

WhatsAppX
Flávio "vai seguir a motosserra do Milei"
CONFIRMADO COM RESSALVA

A coordenadora disse que o plano se inspira em Milei; Flávio usa "tesouraço" e evitou adotar o modelo no debate

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Plano de Flávio, p. 29Juros e dívida pública
"O Brasil tem hoje a maior taxa de juro real do mundo"
CONFIRMADO COM RESSALVA

O ranking MoneYou/Lev Intelligence pôs o Brasil em 1º em jun e set/2026, alternando com a Rússia entre 1º e 2º conforme a Selic (Poder360, 17/06 e 16/09/2026)

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Plano de Flávio, p. 29 e 70Juros e dívida pública
"A maior taxa de juros em 19 anos"
CONFIRMADO

A Selic de 15% (jun/2025 a 2026) foi a maior desde meados de 2006 (histórico do Copom)

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texto em circulaçãoJuros e dívida pública
A Selic "acumulou mais de 115.000% em 12 meses no fim de 1989"
FALSO

A Over/Selic acumulou 2.407% em 1989; o maior acumulado de 12 meses da série é 6.288% (até jun/1994). 115.000% só aparece ao anualizar uma taxa mensal de 1990

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texto em circulaçãoJuros e dívida pública
"Cerca de 40% da dívida é LFT"
CONFIRMADO COM RESSALVA

Era cerca de 40% em dez/2023; em ago/2026 a parcela ligada à Selic é 52,7% da dívida pública federal

WhatsAppX
críticos do arranjoJuros e dívida pública
Os juros custam ao país mais que a saúde e a educação juntas
CONFIRMADO

R$ 1.007,6 bi de juros em 2025, contra R$ 228,6 bi de saúde e R$ 101,0 bi de educação no governo central (sem pessoal)

WhatsAppX
Cuidado

Números que circulam com erro

A leitura correta de cada número que aparece com frequência fora de contexto, nos dois lados.

"Flávio prometeu economizar R$ 200 bi cortando 10 ministérios." As manchetes de 16/10 transcreveram a frase ao contrário. Pela transcrição do Aos Fatos e da CNN, ele disse que o corte "não gera uma economia na proporção de 200 bilhões". Os R$ 200 bi eram receitas (imóveis e securitização).

"O governo tem 39 ministérios." Hoje são 38. Foram 39 em 2024.

"Bolsonaro tinha 21 ministérios." Esse número aparece na imprensa (Metrópoles, 20/01/2026). Contando todos os órgãos com status de ministério, Bolsonaro tomou posse com 22 e terminou com 23.

Cargos comissionados 2019-2025. A série do PEP tem quebra em 2022 (novo sistema CCE e FCE). "Lula criou três vezes mais cargos que Bolsonaro" compara séries que mudaram de método. O levantamento original veio de um grupo ligado ao PSDB.

Cartão corporativo, núcleo presidencial. A média de Lula 3 é R$ 1,34 mi por mês (R$ 1,344 mi); arredondamentos para R$ 1,35 mi aparecem em textos anteriores. A de Bolsonaro é R$ 1,14 mi pela planilha da Presidência e R$ 1,16 mi pelo Portal.

"R$ 1,4 bilhão no cartão de Lula." Esse total soma CPGF, cartão da Defesa Civil (cerca de R$ 1,1 bi, recursos a estados e municípios em desastres) e compras centralizadas.

"Bolsonaro reduziu a dívida." Caiu 3,6 pontos do PIB de dez/2018 a dez/2022, com a ajuda do PIB nominal inflado por inflação alta, dividendos extraordinários e precatórios adiados.

"Lula elevou a dívida em 13 pontos." O BCB mede 11,2 pontos até ago/2026; a maior parte da alta vem dos juros nominais.

Investimento de 2020. O pico de 1,38% do PIB inclui inversões financeiras da pandemia.

Investimento de Lula 3. Cerca de um quarto a um terço é inversão financeira (empréstimos e aportes).

Gastos tributários de 2024 a 2026 são projeções da Receita.

Securitização e venda de imóveis são receitas de uma vez só; tratar como "economia por ano" leva a erro.

Reportagens sobre o pacote de 2% do PIB vêm de fontes não identificadas; a campanha nega e o plano registrado no TSE não traz essas medidas.

"A Selic acumulou 115.000% em 12 meses em 1989." Falso: o acumulado de 1989 foi 2.407%; o número vem da anualização de uma taxa mensal de 1990.

"40% da dívida é LFT." Desatualizado: em ago/2026 a parcela ligada à Selic é 52,7%.

Juros de R$ 1 trilhão são apropriação por competência, com correção monetária e swaps; o pagamento em caixa é outra conta.

LFT e "cultura rentista" são debate entre economistas, com autores dos dois lados; o arranjo é herança documentada da inflação alta, sem indício de esquema.

Juros brutos x líquidos x NFSP. O FMI (governo geral) e o BCB (setor público consolidado) medem juros de formas diferentes; compare sempre dentro da mesma fonte.

Lacunas

O que ficou sem medição

Pontos que o levantamento tentou medir e que dependem de dados ainda não públicos ou de consulta direta às bases.

  • O plano de Flávio não lista quais ministérios seriam fundidos, nem o custo do Ministério da Prosperidade, nem metas em reais.
  • Não há medição oficial ex-post da economia da reforma ministerial de 2019 nem do custo das pastas criadas em 2023.
  • Emendas pagas por tipo (RP6, RP7, RP8, RP9) de 2019 a 2023 exigem consulta direta ao Siga Brasil; 2019 e 2021 estão incompletos na tabela.
  • A API de séries do BCB recusou consultas durante o levantamento; usamos a tabela especial do BCB (Divggnp.xlsx) e os espelhos das séries no Ipeadata.
  • Citações literais de Belluzzo, Bacha e Salto sobre as LFT não foram verificadas e ficaram de fora; o texto do Valor de 09/06/2023 não pôde ser lido.
  • Detentores da dívida por grupo de 2015 a 2021 não foram obtidos.
  • Gastos tributários do PLOA 2027 não foram localizados.
  • A abrangência federativa dos R$ 20 bi de supersalários não está clara no estudo.
  • A frase de Flávio sobre "18 bilhões de superávit ou de lucro" das estatais com Bolsonaro não foi testada.
  • Não há termos públicos do swap dos EUA com a Argentina.
  • O "Tratoraço" não tem desfecho judicial localizado.
Fontes

De onde vem cada número

Oficiais e institucionais (26)

  1. Tesouro Nacional, Resultado do Tesouro Nacional, série histórica de jul/2026: tesourotransparente.gov.br
  2. Tesouro, boletins RTN de dezembro: dez/2019 cdn.tesouro.gov.br ; dez/2024 cdn.tesouro.gov.br ; dez/2025 static.poder360.com.br
  3. Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado, Informativo Conjunto PLOA 2027 (set/2026): congressonacional.leg.br
  4. Câmara, CONOF, Nota Informativa 13/2016 (reforma ministerial de 2015): camara.leg.br
  5. Câmara, CONOF, Estudo Técnico 5/2024 (limites de 2025): camara.leg.br
  6. IFI do Senado: RAF 108 senado.leg.br ; RAF 113 senado.leg.br ; RAF 116 senado.leg.br
  7. LC 200/2023: planalto.gov.br ; planalto.gov.br
  8. Receita Federal, Gastos Tributários Bases Efetivas: gov.br
  9. IPEA, BAPI n.12 (2017): repositorio.ipea.gov.br
  10. IBGE, Anuário Estatístico 2024 (servidores): anuario.ibge.gov.br
  11. TCU, Contas do Governo 2021 (emendas de relator): sites.tcu.gov.br
  12. Portal da Transparência, CPGF: portaldatransparencia.gov.br ; gov.br
  13. FMI DataMapper (Fiscal Monitor e WEO out/2026): imf.org ; imf.org ; imf.org
  14. FMI, China Article IV (CR 26/44): imf.org
  15. Eurostat gov_10a_main: ec.europa.eu
  16. Plano de governo de Flávio Bolsonaro, "Para o Brasil Vencer o Atraso": static.poder360.com.br
  17. BCB, Estatísticas Fiscais, notas de 30/01/2026 e 30/09/2026: bcb.gov.br ; bcb.gov.br
  18. BCB, tabela especial de dívida bruta (Divggnp.xlsx): bcb.gov.br
  19. BCB, histórico das taxas do Copom: bcb.gov.br
  20. Tesouro, Relatório Mensal da Dívida de ago/2026: cdn.tesouro.gov.br ; static.poder360.com.br
  21. Fazenda, revisão do PAF 2026 (27/08/2026): gov.br
  22. Tesouro, RTN dez/2025: cdn.tesouro.gov.br
  23. Decreto-Lei 2.376/1987 (LFT): camara.leg.br
  24. Lei 14.185/2021 (depósitos voluntários): planalto.gov.br
  25. IFI, Estudo Especial nº 3, operações compromissadas (out/2017): senado.leg.br
  26. ANBIMA, Selic 40 anos (07/11/2019): anbima.com.br

Acadêmicas (14)

  1. Carvalho, "Liquidez dos haveres financeiros e zeragem automática do mercado", REP (1993): scielo.br
  2. Modenesi e Modenesi, REP (2012): scielo.br
  3. Ipea, BAPI nº 16 (2018): repositorio.ipea.gov.br
  4. Lara Resende, "A camisa de força ideológica da macroeconomia", CEBRI (2022): cebri.org
  5. Lara Resende no Valor (27/01/2017), via IHU: ihu.unisinos.br
  6. Arida, Bacha e Lara Resende (2003): ideas.repec.org
  7. Tesouro, Texto para Discussão nº 23 (2016): repositorio.enap.gov.br
  8. Williamson (1990): piie.com
  9. Rodrik (2006): cpi.stanford.edu
  10. Ostry, Loungani e Furceri (2016): imf.org
  11. FMI IEO, Argentina (2004): imf.org
  12. Grier e Grier (2021): ideas.repec.org
  13. Easterly (2019): nber.org
  14. Banco Mundial, China: worldbank.org ; openknowledge.worldbank.org

Imprensa e checagem (38)

  1. Poder360, Flávio propõe de 39 para 27 (08/05/2026): poder360.com.br
  2. Poder360, tesouraço na corrupção (18/10/2026): poder360.com.br
  3. Aos Fatos, sabatina da Globo (16/10/2026): aosfatos.org
  4. CNN Brasil, imóveis e securitização (16/10/2026): cnnbrasil.com.br
  5. Metrópoles, manchete de 16/10/2026: metropoles.com
  6. Money Times, tesouraço em impostos (13/10/2026): moneytimes.com.br
  7. Money Times, "fake news" (16/10/2026): moneytimes.com.br
  8. O Tempo, plano de governo (13/08/2026): otempo.com.br
  9. Agência Brasil, plano de 76 páginas (18/09/2026): agenciabrasil.ebc.com.br
  10. Gazeta do Povo, Daniella Marques e R$ 190 bi (03/08/2026): gazetadopovo.com.br
  11. Exame, inspiração em Milei (14/09/2026): exame.com
  12. CNN Brasil, PEC de R$ 300 bi (25/09/2026): cnnbrasil.com.br
  13. IstoÉ Dinheiro, corte de 2% do PIB segundo a Folha (08/10/2026): istoedinheiro.com.br
  14. Brasil de Fato (08/10/2026): brasildefato.com.br
  15. Diario de Pernambuco, nota da campanha (08/10/2026): diariodepernambuco.com.br
  16. Congresso em Foco, "De onde vai cortar R$ 250 bi?" (10/10/2026): congressoemfoco.com.br
  17. Congresso em Foco, Ministério da Prosperidade (09/10/2026): congressoemfoco.com.br
  18. Agora RN, Marçal (30/09/2026): agorarn.com.br
  19. Metrópoles, Lula e os ministérios (20/01/2026): metropoles.com
  20. Poder360, promessa de 15 ministérios (12/06/2020): poder360.com.br
  21. Poder360, de 29 para 22 (05/12/2018): poder360.com.br
  22. TNH1, cargos extintos por Temer (29/12/2016): tnh1.com.br
  23. Seu Dinheiro/Estadão, Decreto 9.725 (13/03/2019): seudinheiro.com
  24. CNN Brasil, cargos comissionados (15/12/2025): cnnbrasil.com.br
  25. Poder360, servidores (17/08/2026): poder360.com.br
  26. Estadão Verifica via Terra, emendas pagas (04/07/2025): terra.com.br
  27. CartaCapital/Estadão, Tratoraço (14/09/2021): cartacapital.com.br
  28. Jornal de Brasília, TCU e Codevasf (05/10/2021): jornaldebrasilia.com.br
  29. Aos Fatos, R$ 7 bi em viagens (05/10/2026): aosfatos.org
  30. Poder360, ranking de juro real (16/09/2026): poder360.com.br
  31. Poder360, dívida bruta de 82,9% (30/09/2026): poder360.com.br
  32. Poder360, setor público consolidado em 2025 (30/01/2026): poder360.com.br
  33. Agência Brasil via Mercado&Consumo, economistas (14/10/2026): mercadoeconsumo.com.br
  34. Movimento Pessoas à Frente e República.org, supersalários (nov/2025): static.poder360.com.br
  35. Correio da Manhã, Consultoria da Câmara e desvinculações (06/11/2024): correiodamanha.com.br
  36. Gazeta do Povo, previdência dos militares (04/07/2026): gazetadopovo.com.br
  37. Forbes Argentina, pobreza (24/09/2026): forbesargentina.com
  38. Infobae/EFE, superávit argentino de 2024 (17/01/2025): infobae.com
Método

Como ler e como foi feito

  • Cada afirmação testável recebe um selo do VAR:
    • CONFIRMADO: o dado oficial sustenta a frase.
    • CONFIRMADO COM RESSALVA: o núcleo procede, com número arredondado, recorte escolhido ou contexto que muda a leitura.
    • ENGANOSO: o número existe, mas a conclusão tirada dele leva a erro.
    • FALSO: o dado oficial contradiz a frase.
    • SEM DADOS: falta número público para testar.
  • Valores em R$ correntes, salvo indicação. "Real" significa corrigido pela inflação (IPCA).
  • Todos os números estão em Método e dados (CSV), com fonte e método em Método e dados.

Como os números foram tratados

  • Médias por governo: média simples dos anos de cada governo (Bolsonaro 2019 a 2022; Lula 3 2023 a 2025). Os mandatos têm durações diferentes na amostra.
  • Ajustes da despesa: três versões (bruta, sem pandemia, sem créditos extraordinários), descritas em método da base de gastos do VAR.
  • Cartão corporativo: governo atribuído pelo mês do extrato; valores corrigidos pelo IPCA até set/2026; comparação por média mensal (48 meses de Bolsonaro, 44 de Lula 3).
  • Dívida bruta: conceito DBGG do BCB, série revisada da tabela especial Divggnp.xlsx (a API de séries do BCB recusou as consultas durante o levantamento).
  • Juros: juros nominais do setor público consolidado por competência (incluem correção monetária e resultado de swaps cambiais), fluxo de 12 meses, séries do BCB espelhadas no Ipeadata e conferidas com as notas de imprensa do BCB.
  • Investimento: linha "memorando: investimento" do RTN; inclui inversões financeiras (empréstimos e aportes), que a IFI separa.
  • % do PIB: PIB do IBGE, implícito nas tabelas do Tesouro ou nos quadros da Receita.
  • Comparação internacional: governo geral (União, estados e municípios), conceito do FMI; difere do governo central do Tesouro.
  • Corte em reais: 1,5% e 2% do PIB calculados com o PIB projetado no PLOA 2027 (R$ 13.683 bi em 2026; R$ 14.783 bi em 2027).

Limites conhecidos

  • Série de cargos comissionados com quebra em 2022 (novo sistema CCE e FCE).
  • Emendas por tipo incompletas para 2019 a 2023.
  • Gastos tributários de 2024 a 2026 são projeções.
  • Reportagens sobre o pacote de corte de 2% do PIB citam fontes não identificadas; a campanha nega.

Os dados, em CSV

Situação em 21/10/2026. Arquivos em UTF-8, decimal com ponto.

ArquivoConteúdoOrigem
gastos-anuais.csvdespesa primária, custeio administrativo, discricionárias, folha, créditos extraordinários, 2018 a 2025cópia de base de gastos do VAR (Tesouro e Siconfi) (Tesouro RTN série jul/2026; RGF)
medias-por-governo.csvmédias por governo das métricas acimaidem
cartao-corporativo.csvCPGF: governo inteiro, Presidência, núcleo presidencial, Abin, GSI, Vicegerado de levantamento do cartão corporativo do VAR (Portal da Transparência, Casa Civil, IPCA set/2026)
cartao-nucleo-presidencial-historico.csvmédia mensal real do núcleo presidencial, Lula 1 e 2 a Lula 3idem
ministerios-contagem.csvnúmero de ministérios por governoIPEA BAPI n.12; Poder360; Gazeta do Povo; Revista Oeste; Metrópoles
economia-corte-ministerios.csveconomia medida ou projetada de cortes de pastas e cargosCâmara CONOF NI 13/2016; TNH1; Seu Dinheiro/Estadão; Revista Oeste
cargos-e-servidores.csvcargos e funções de confiança e servidores civis ativos do ExecutivoPainel Estatístico de Pessoal via CNN Brasil e Poder360; IBGE Anuário
investimento-federal.csvinvestimento do governo central, R$ e % do PIBTesouro RTN (memorando de investimento); IFI RAF 108
emendas-pagas.csvemendas pagas e autorizadas por ano, e por tipo quando disponívelSiga Brasil via Estadão Verifica; Siop via Diario de Pernambuco; TCU; LOA 2026
gastos-tributarios.csvgastos tributários da UniãoReceita Federal, Bases Efetivas e PLOA 2026
resultado-primario-e-divida.csvresultado primário do governo central e dívida bruta (DBGG)Tesouro RTN; BCB via imprensa
orcamento-2025-2027.csvgrandes blocos da despesa: 2025, 2026 reprogramado e PLOA 2027Informativo Conjunto das Consultorias de Orçamento, PLOA 2027
despesas-obrigatorias-ploa2027.csvmaiores despesas obrigatórias, amarra legal e ligação com o salário mínimoInformativo Conjunto; IFI RAF 116; Constituição
metas-arcabouco.csvmetas de primário, limites de despesa e resultadosLDOs; CONOF ET 5/2024; IFI RAF 104, 113 e 116
espaco-fiscal.csvopções de corte com valor, exigência legal e público afetadovárias, linha a linha
promessas-numeros-campanha.csvcifras da campanha de Flávio e reportagens, por dataimprensa, linha a linha
tratoraco.csvnúmeros do Tratoraço (CGU e TCU, 2021)CartaCapital/Estadão; Jornal de Brasília
internacional.csvdespesa, receita, dívida, juros e carga tributária de 20 países e blocos, 2024 e 2025FMI (Fiscal Monitor e WEO out/2026; PFMH dez/2025); Eurostat; OCDE; FMI CR 26/44
consenso-crescimento.csvcrescimento do PIB per capita por década: América Latina, China, Leste AsiáticoBanco Mundial (NY.GDP.PCAP.KD.ZG)
polonia-russia-pib-pc.csvPIB per capita da Polônia e da RússiaBanco Mundial (NY.GDP.PCAP.KD)
argentina-milei.csvindicadores fiscais e sociais da Argentina, 2023 a 2026INDEC; Ministério da Economia; Chequeado; FMI
juros-anuais.csv, divida-composicao.csvjuros nominais, resultados e Selic; composição e detentores da dívidaBCB; Tesouro (RMD)
juros-vs-despesas-2025.csvjuros de 2025 ao lado de INSS, saúde, educação e Bolsa FamíliaBCB; Tesouro RTN dez/2025